Rui Rio no Chão da Lagoa: É preciso votar no PS para o PS fazer aquilo que não fez?

Rio foi à festa anual do PSD-Madeira prometer cortar nos impostos e melhorar os serviços públicos.

Rui Rio discursou ao lado de Miguel Albuquerque na festa de Chão da Lagoa
Foto
Rui Rio discursou ao lado de Miguel Albuquerque na festa de Chão da Lagoa LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Rui Rio não compreende. “Então é preciso votar no PS, para o PS mudar e fazer o contrário daquilo que fez até à data?”, questionou o líder nacional do PSD, este domingo, no palco do Chão da Lagoa, depois de ter percorrido (e brindado), cada uma as quase 60 barracas representativas das freguesias da Madeira e das várias estruturas autónomas partidárias.

Na “maior festa” social-democrata do país, Rio está em casa. O presidente do PSD chegou à Herdade do Chão da Lagoa, nas serras sobranceiras ao Funchal, acompanhado por Miguel Albuquerque, e mesmo antes de sair do carro já Alberto João Jardim, que os aguardava, o elogiava.

“O projecto do Rui Rio é um projecto de médio e longo prazo, primeiro está o Estado e depois o partido”, destacou o antigo governante madeirense, dizendo que normalmente em Portugal os dirigentes partidários só pensam no imediato: em votos e em ganhar eleições.

Rio também pensa nisso, e já no final da intervenção, marcada por “olés” à “Madeira livre” e a Alberto João Jardim, reforçou os objectivos imediatos do partido. A 22 de Setembro, dia das eleições regionais madeirenses, manter a boa governação na Madeira; a 6 de Outubro, nas legislativas, fazer com que Portugal esteja capaz de ter um novo governo que coloque o país no caminho do desenvolvimento.

Porque, com o PS e a “gerigonça” no governo o país não tem tido rumo. “Vêm [o PS] agora prometer o contrário daquilo que andaram a fazer durante quatro anos”, disse Rio, exemplificando com o Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a ferrovia que “nunca foram” prioridades para o actual executivo.

“Mas é preciso votar no PS a 6 de Outubro, para o PS fazer o SNS uma prioridade? Então não podiam ter feito nestes últimos quatro anos? Então não podem fazer já?”, insistiu Rio, depois de criticar o aumento da carga fiscal e a deterioração dos serviços públicos que tem reflexos negativos, desde os atrasos numa simples renovação do cartão do cidadão até à efectivação da reforma. Quem pede a reforma aos 66 anos e meio, sustenta Rio, só mais de um ano depois é que tem a resposta. “Na prática, transforma-se [a idade da reforma] nos 68 anos.”

Com o PSD no governo, tudo isso, garante, vai mudar. Porque, há um momento em que a subida de impostos tem de parar, e esse momento é quando o PSD ganhar as eleições e fizer governo. “Nesse dia há uma parte dos impostos que tem necessariamente que baixar”, prometeu, explicando que esses cortes serão feitos de acordo com as margens orçamentais, sem sacrificar a qualidade dos serviços públicos.

Antes, durante a ronda pelas barracas, Rio, questionado pelos jornalistas, considerou que as golas anti fumo inflamáveis são, em primeiro lugar, “uma questão política”, o que não invalida que o MP não investigue a forma como o material foi adquirido.

Albuquerque, que encerrou as intervenções políticas, elogiou o discurso de Rio – “sempre que vem à Madeira, faz discursos extraordinários” –, dizendo que a região autónoma “não vai em cantigas”. Os madeirenses, disse, não vão colocar comunistas, socialistas e demais extremistas a governar uma região que é exemplo de crescimento.