Opart terá reforço de 606 mil euros para “refundar” a programação artística

Apresentação da temporada 2019/2020 do Teatro Nacional de São Carlos não contou nem com o director artístico cessante, Patrick Dickie, nem com a maestrina titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, Joana Carneiro, cujo mandato será renovado. Sucessor de Patrick Dickie, um português, será anunciado em breve, adiantou a ministra da Cultura.

Graça Fonseca
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O novo presidente do conselho de administração do Opart diz que "a instabilidade laboral é uma coisa do passado" NUNO FERREIRA SANTOS

A ministra da Cultura anunciou esta quinta-feira que o Organismo de Produção Artística (Opart) terá um reforço financeiro de 606 mil euros para refundar a programação artística das estruturas que tutela, o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), a Companhia Nacional de Bailado (CNB) e a Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP)​.

Graça Fonseca falava em Lisboa na apresentação da próxima temporada (2019/2020) do São Carlos, numa sessão em que esteve também o novo presidente do conselho de administração do organismo, André Moz Caldas, mas que não contou com a presença do director artístico do São Carlos, Patrick Dickie, nem com a maestrina titular da OSP, Joana Carneiro.

“É preciso arrumar organicamente esta casa e é preciso fazer alguma refundação artística. É preciso voltar a ter projecto artístico, a ter programação para famílias, ir para fora de Lisboa, é preciso voltar a ganhar mais públicos”, enumerou Graça Fonseca, no final da apresentação, à agência Lusa.

A temporada lírica e sinfónica apresentada esta quinta-feira será a última programada pelo britânico Patrick Dickie, que não se mostrou disponível para um novo mandato de três anos e em Agosto deixará o São Carlos. Segundo Graça Fonseca, o próximo director artístico, que deverá assumir funções em Setembro, será português. O anúncio, acrescentou, será feito em breve pelo Opart. Já a maestrina Joana Carneiro, que terminaria funções este mês, verá renovado o seu mandato.

Graça Fonseca e André Moz Caldas sublinharam o “enorme entendimento” entre a tutela e o Opart sobre o mandato da nova administração.

Em Junho, os trabalhadores do Opart estiveram em greve, reivindicando uma harmonização salarial entre funcionários do TNSC e da CNB, um regulamento interno de pessoal, e melhores condições de higiene e de trabalho. A greve foi suspensa dias depois de a nova administração do Opart, liderada pelo até então chefe de gabinete do ministro das Finanças, ter tomado posse, tendo os trabalhadores considerado que estava aberto “um caminho de compromisso e negociação"​. O ex-presidente do conselho de administração, Carlos Vargas, cujo mandato tinha terminado em Dezembro mas se mantinha em funções, pedira já a demissão.

“Tudo, apesar de tudo, [está] a correr agora com tranquilidade, paz social. As negociações entre o Conselho de Administração [e os sindicatos] estão a correr bem, acho que há condições neste momento para fazer esta dupla dimensão”, de refundação e reorganização, disse Graça Fonseca à agência Lusa.

No final da apresentação da temporada, André Moz Caldas afirmou que a partir de Setembro haverá novas reuniões formais entre o Opart e os representantes dos trabalhadores, com vista a um “processo de coerência interna” sobre condições de trabalho. Até lá, está suspensa a aplicação, anunciada em Junho pela tutela, da reposição das 40 horas semanais de trabalho para os trabalhadores da CNB.

Numa altura em que a CNB ainda não apresentou a sua programação para a próxima temporada, e questionado sobre se espera um clima de tranquilidade, André Moz Caldas respondeu: “Não tenho dúvidas de que a instabilidade laboral é uma coisa do passado.”

Sobre as recentemente anunciadas obras no São Carlos, Graça Fonseca referiu que estão orçamentados cerca de 120 mil euros para preparar, para 2020, a abertura de concursos para intervenção na estrutura do edifício e melhoria das condições de trabalho.