População de Vergão em Proença-a-Nova está assustada e preparada para o pior

Entre Proença-a-Nova e Mação ainda está viva a memória das chamas de 2017.

Macau
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Paulo Pimenta

Na localidade de Vergão, fronteira entre o concelho de Proença-a-Nova e Mação, a população está assustada e a preparar-se para o pior devido à proximidade do fogo que está a escassos quilómetros.

Américo da Silva, um dos habitantes desta localidade do concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, nas proximidades de Mação, distrito de Santarém, afirmou à agência Lusa que está muito assustado com o aproximar do fogo e do fumo. “Tenho aqui a minha casa, as minhas propriedades. Se o fogo salta o cabeço para cá, arde tudo”, lamentou.

Este habitante explicou ainda que quase todas as casas desta povoação são velhas e estão desabitadas. “Caso o fogo chegue aqui, só peço ajuda aos bombeiros. A minha esposa está numa cadeira de rodas”, disse, sem desviar o olhar da coluna de fumo do fogo que começou no sábado em Vila de Rei e que já atingiu Mação, ameaçando agora Proença-a-Nova.

A agência Lusa percorreu as ruas de Vergão, que às 17h30 parecia mais uma aldeia fantasma. Um carro da Câmara de Proença-a-Nova, com uma equipa de dois sapadores, e munido de um depósito de 400 litros, está no local, de prevenção. “As ordens que temos são para nos mantermos aqui [Vergão] até ordens em contrário. Se o vento não mudar, não há perigo. Caso mude, a povoação é logo atingida”, explicou Paulo Marques. Este operador adiantou ainda que há na zona várias equipas de sapadores dos produtores Florestais de Proença-a-Nova a fazer vigilância.

Na localidade mais próxima de Vergão, Montinho das Cimeiras, Maria Adelina Fernandes está “muito preocupada” com a coluna de fumo que vê do alto da sua casa. E que se aproxima. “Fui agora ligar a televisão para ver as notícias. Já arrumei a lenha toda e pedi ajuda a um vizinho para montar uma mangueira de 25 metros. Tenho outra ali na horta já preparada”, disse.

Maria Adelina recorda o incêndio de 2017, precisamente o dia 23 de Julho, quando ardeu tudo à volta da sua casa. “Estava rodeada de lume. Calhou cá estar o meu filho, a minha nora, a minha filha e o meu genro. Chamámos os bombeiros que vieram logo. Hoje, estou a reviver essa altura e já me precavi”, referiu.

Esta habitante do Montinho das Cimeiras adiantou que este ano já mandou “cortar a erva por três vezes” à volta da sua casa. “Tive que pagar. Com 170 euros de reforma o que é que eu faço?”, questionou. Para além das mangueiras estendidas, um tanque cheio de água, está preparada para o pior: “Até comprei máscaras por causa do fumo”.

José Luís, um vizinho de Maria Adelina, é, neste momento, a única ajuda que tem. “Se isto piorar, tenho que lhe ligar para me vir ajudar”, rematou.

No percurso em direcção a Cardigos (Mação), a agência Lusa chegou ao cruzamento das localidades de Chaveira e Chaveirinha, onde por volta das 17h50 estava um dispositivo de bombeiros e a GNR já tinha uma estrada cortada. As chamas já chegaram aos montes à volta destas localidades do concelho de Mação e vários meios aéreos estão a operar no local.

Às 18h40, segundo a página da Autoridade nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), encontravam-se a combater o incêndio de Vila de Rei e Mação 1.087 operacionais, apoiados por 331 viaturas e 17 meios aéreos.