Opinião

Cartas ao director

Comunicação não verbal

Nos tempos em que trabalhei numa multinacional, participei num curso no qual um dos temas foi a comunicação. Ouvi da boca de um expert que 80% da comunicação entre os seres humanos corresponde a “comunicação não verbal”, o maior charlatão utilizando as técnicas certas pode convencer uma audiência.

Um dos elementos de comunicação é a apresentação: vestuário, acessórios, penteado, postura, etc.. Desde esse curso passei a prestar a maior atenção a estes elementos e ao ver imagens dos sindicalistas presentes nas galerias da nossa Assembleia da República, em protesto pela aprovação da legislação laboral, não deixei de reparar no dirigente máximo da CGTP, Arménio Carlos, que vestia um belo pólo, de cor vermelha, com o exclusivo crocodilo da marca Lacoste. Já noutra ocasião reparei que a dirigente sindicalista Ana Avoila exibia um belo relógio Cartier no seu pulso...

Os comunistas, com estes sinais de capitalismo exclusivo, há muito que desistiram da revolução social. Falam, falam, falam, mas com esta comunicação não verbal está tudo dito! 

Ezequiel Neves, Lisboa

Cultura é o corpo...

O artigo de Maria Fátima Bonifácio, depois de muito glosado numa exegese ideológica, foi depois dissecado em partes, de que as quotas e agora as culturas são exemplos. Estas últimas já se separaram do artigo seminal e a “disputa" entre cultura e civilização entrou na contenda, para logo passar ao erudito vs comum quando não, ignorante. Hoje (19/7), Rui Tavares vem, falando de absolutismo e relativismo, dissertar sobre o “nós e eles”, no aspecto em que o que achamos evidente pode não o ser assim tanto para os outros, quase “apelando” aquilo que “funciona para todos”.

E aqui me pergunto: o que é que “funciona” para todos ou, dito de outro modo, o que é comum a toda a humanidade? E só encontro uma resposta: o corpo. Com as suas funções. E é por isso mesmo que é aí que encontro o que deve ser defendido por todos. E também por isso não pode fazer parte integrante de qualquer facção de cotejo de supremacia, mesmo que relativa, vinda esta donde vier. Falo portanto de excisão de clítoris, apredejamento de mulheres, lapidação, obstaculização a vacinações. O meu corpo é o receptáculo “igual” ao de todos os humanos. O que nele se passa são “culturas” diferentes das que se passam no do vizinho. Portanto só ele é comum. E só nele o “lugar comum” e o “lugar erudito” se tornam... lugares!

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Justiça

O que se vem passando à sombra dos Direitos, Liberdades e Garantias, brada aos céus. Todos os dias são noticiados os mais escabrosos casos. Alguns vão a tribunal, para gáudio de hábeis advogados que à sombra de inacreditáveis e complicadas leis, conseguem salvar a pele dos seus/suas delinquentes. Para o vulgar cidadão não é tolerável o que se vai passando. Embora o mundo esteja virado avesso, fruto dos avanços tecnológicos, que muita coisa de bom têm, é altura de começar a castigar duramente quem prevarica em prejuízo de todos, porque antes dos direitos tão invocados, há os deveres perante a Nação e os concidadãos.

Carlos Leal, Lisboa