Morreu a filósofa húngara Agnes Heller

Sobreviveu ao Holocausto, combateu o comunismo (e foi perseguida) e o domínio soviético e era uma dura crítica de Viktor Orbán.

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Agnes Heller morreu aos 90 anos DR

A filósofa húngara Agnes Heller, um das mais importantes pensadoras do século XX, morreu na sexta-feira aos 90 anos. 

Nascida em 1929 em Budapeste, Heller sobreviveu ao Holocausto, mas a maior parte da sua família foi morta nos campos de concentração nazis.

Aluna do filósofo Gyorgy ​Lukács - precursor da corrente que analisa as obras literárias no seu contexto social e histórico - desde 1947, foi depois sua assistente. Ambos foram despedidos em 1956, depois da sublevação húngara contra o domínio soviético. 

Foi uma figura central da Escola de Budapeste - um fórum que juntou discípulos de Lukács e que seguiu o “marxismo humanista”, depois o pós-marxismo e finalmente o liberalismo dissidente e a nova esquerda. A seguir à morte de Lukács, em 1971, os membros da Escola forma perseguidos - Heller e o marido, o filósofo Ferenc Feher, assim como muito outros, exilaram-se na Áustria em 1977.

Depois do colapso da União Soviética e dos regimes comunistas do Leste da Europa, Agnes Helle regressou à Hungria, mantendo-se também, durante 25 anos, como professora de teoria política na New School for Social Research em Nova Iorque.

Escreveu profusamente sobre a filosofia da História e da moral, e sobre a teoria da modernidade - um dos seus livros, O Cotidiano e a História, tem edição em português, no Brasil. Defendia a democracia liberal e era uma dura crítica do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que acusava de minar a democracia e classificava de “tirano".

“O sr. Orbán diz que a Hungria é uma democracia iliberal. De alguma forma, está a dizer a verdade. Mas isso significa que o tradicional sistema de pesos e contrapesos desapareceu”, escreveu num artigo de opinião no The New York Times em Setembro de 2018.

Foi uma das signatárias do manifesto A Casa Europa está a arder: o manifesto dos patriotas europeus, publicado em Janeiro deste ano.

Segundo os meios de comunicação húngaros, morreu a nadar no lago Balaton.

Antes das eleições para o Parlamento Europeu de Maio, foi uma das convidadas do Presidente francês Emmanuel Macron num fórum em que se debateu o futuro da Europa.