Economia social cresceu nos últimos anos de crise

A terceira edição da Conta Satélite da Economia Social foi revelada pelo Instituto Nacional de Estatística nesta sexta-feira.

Foto
Rui Gaudencio

O terceiro sector, constituído por entidades privadas sem fins lucrativos, cresceu nos últimos anos da crise da dívida. Comparando 2013 com 2016, verifica-se que gerou mais emprego, mais remunerações, mais valor acrescentado bruto, revelando maior dinamismo do que o total da economia nacional.

A terceira edição da Conta Satélite da Economia Social foi nesta sexta-feira revelada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). E mostra mudança numa fase em que o sector foi chamado a prestar mais serviços públicos, por exemplo, com a criação de uma rede de cantinas sociais e de redes locais de intervenção social.

As associações com fins altruísticos formam a maior fatia do terceiro sector, integrando naquela altura 66.761 unidades. Naquele período, cresceram 16,7%. Quase metade opera na área da cultura, comunicação e actividades de recreio, seguindo-se a religião e os serviços sociais.

Também subiu, embora menos, o número de cooperativas: 10,7%, alcançando 2343 a actuar sobretudo no comércio e na cultura/comunicação/recreio. E o de fundações: 7,1%, chegando às 619, muitas a trabalhar nos serviços sociais ou na cultura/ comunicação/recreio e na saúde.

Naquela fase, as misericórdias mantiveram-se mais ou menos estáveis. Em 2016, somavam 387 unidades, quase 80% na área da saúde. E diminuiu (12,6%) o de associações mutualistas, para um total de 97, a operar, em 71,1% dos casos, na área dos serviços sociais.

De acordo com o INE, “o peso da economia social na economia nacional passou de 5,2%, em 2013, para 5,3%, em 2016”. Na mesma linha evolutiva, “a importância relativa do emprego remunerado aumentou de 6%, em 2013, para 6,1% do total do emprego remunerado total, em 2016”.

Segundo a mesma fonte, “o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia Social representou 3% do VAB da economia, tendo aumentado 14,6%, em termos nominais, face a 2013”. E “a necessidade líquida de financiamento da economia social agravou-se, passando de 412,0 milhões de euros (0,2% do PIB), em 2013, para 598,4 milhões de euros, em 2016 (0,3% do PIB)”.

Ainda conforme o INE, uma parte significativa do VAB da economia social destina-se a remunerações (89,7%), muito acima do observável no conjunto da economia (50,5%). E a remuneração média no sector correspondeu a 86,3% da remuneração média da economia nacional (86,4% em 2013).