PS “de consciência tranquila”, PSD quer que “não volte a acontecer”

Grupos parlamentares reagiram às conclusões da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos.

Edifício da Caixa Geral de Depósitos
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Edifício da Caixa Geral de Depósitos Rui Gaudencio / Publico

Deputados de vários grupos parlamentares regozijaram-se esta quarta-feira pelas conclusões da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), com o PS a dizer-se de “consciência tranquila” e o PSD a esperar que estes casos não se repitam.

“A postura e actuação do PS nesta comissão de inquérito não foi uma tentativa de proteger algo ou alguém, mas também não procurámos fazer ataques ou alguma situação por conveniência partidária. Estamos de consciência tranquila”, disse o deputado João Paulo Correia aos jornalistas, à saída da reunião que aprovou por unanimidade o relatório da segunda comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da CGD.

Questionado como é que o PS lida com a herança do período de José Sócrates (que foi primeiro-ministro entre 2005 e 2011, um dos períodos mais visados pela comissão parlamentar), o deputado socialista declarou que “as conclusões apontaram falhas a todas as administrações da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015”.

João Paulo Correia considerou ainda que “o Parlamento prestou um grande serviço ao país”, pois “deu a conhecer matéria nova e informação que não foi possível conhecer na primeira comissão de inquérito”.

Pelo PSD, o deputado Duarte Marques afirmou que “os portugueses merecem este registo histórico e que isto não volte a acontecer”, e classificou o documento aprovado esta quarta-feira como “um bom relatório”.

Duarte Marques disse também que “o Parlamento está de parabéns”, uma vez que “valeu a pena” fazer a comissão e que os partidos “foram unânimes em considerar o trabalho desta comissão importante”.

Relativamente a responsabilidades na CGD, o deputado do PSD referiu parecer óbvio ao partido que “houve administrações que pecaram, umas que foram mais pecadoras que outras e que fizeram negócios ruinosos”, salientando o período “de 2005 a 2008”, relativo à administração de Carlos Santos Ferreira.

A deputada Cecília Meireles, do CDS-PP, referiu o “espírito de equipa” entre os vários grupos parlamentares, e destacou o trabalho de “isenção e rigor” do seu colega de partido João Almeida, que redigiu o relatório.

“Eu acho que desta comissão resulta claro que não são todos responsáveis, há vários responsáveis, mas é preciso reconhecer que os administradores [da CGD] têm mais responsabilidade do que os que não foram administradores”, acrescentou Cecília Meireles.

Já pelo PCP, Duarte Alves apontou aos sucessivos governos do PS, PSD e CDS responsabilidades pelo rumo de afastamento da Caixa do seu papel como banco público, que “levaram às perdas” esta quarta-feira conhecidas.

“Aquilo que fica claro é que há uma necessidade absoluta de um controlo público sobre a banca para resolver estes problemas do sistema financeiro”, argumentou o deputado, acrescentando que o modelo de supervisão “baseado na auto-regulação (...) não funcionou”.

O BE não falou aos jornalistas no final da reunião. O relatório final da comissão parlamentar de inquérito à CGD foi aprovado por unanimidade.

Os deputados aprovaram o relatório às 21h20, depois de quase oito horas de debate e votações, incluindo duas horas à porta fechada. Esta foi a primeira comissão parlamentar à banca em que o relatório final foi aprovado por unanimidade.