Trabalhadores e utentes dos transportes públicos protestam em Lisboa

Concentração promovida pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações está marcada para as 17h desta quarta-feira e junta organizações de trabalhadores e utentes.

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Miguel Manso

Trabalhadores e utentes dos transportes públicos protestam esta quarta-feira, em frente à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, para exigir mais recursos no sector, lembrando que, nos últimos 15 anos, foram “destruídos 4823 postos de trabalho”.

Promovida pela Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, a concentração de protesto, que se realiza pelas 17h, reúne organizações de trabalhadores do sector dos transportes, nomeadamente sindicatos e comissões de trabalhadores, organizações de utentes e outras estruturas sindicais.

Para “exigir mais trabalhadores e mais transportes”, o protesto surge no seguimento de uma tribuna pública, realizada em 25 de Junho, no Cais do Sodré, em Lisboa, onde foi denunciado que, “nos últimos 15 anos, na CP — Comboios de Portugal, EMEF — Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, IP — Infra-estruturas de Portugal, Metropolitano de Lisboa, Transtejo e Soflusa, foram destruídos 4823 postos de trabalho, que fazem hoje falta para que os utentes tenham um serviço público de transportes com qualidade e que responda às suas necessidades”.

Neste âmbito, trabalhadores e utentes dos transportes públicos exigem a reposição dos trabalhadores que saíram nos últimos anos.

“Estivemos nesta tribuna pública a colocar um problema que é central para a resolução dos diversos problemas com que temos sido confrontados nas empresas de transportes”, explicou à Lusa o coordenador da Fectrans José Manuel Oliveira, reafirmando que “é preciso haver investimentos”, mas defendendo simultaneamente que sejam admitidos cerca de 5000 trabalhadores — os mesmos que entre 2004 e 2018 saíram da CP — Comboios de Portugal, EMEF, Infra-estruturas de Portugal, Metropolitano de Lisboa, Soflusa e Transtejo.

Nos últimos anos, nestas seis empresas públicas, saíram 4823 trabalhadores, “o que corresponde a uma diminuição de 35% do efectivo total”, disse o dirigente sindical, lembrando que “são estes os trabalhadores que, no mínimo, fazem falta para assegurarem um serviço público regular, com qualidade e seguro” aos utentes dos transportes públicos.

José Manuel Oliveira alertou também para o facto de a situação “não se resolver com medidas pontuais, dez trabalhadores aqui e 50 acolá noutra empresa”.

“Temos de olhar para aquilo que foi a evolução negativa nos últimos 15 anos [...]. E a partir daqui começar, se quisermos ter uma solução para o problema e repor a capacidade de resposta destas empresas ao nível da procura, pois esta aumenta cada vez mais devido a uma medida que consideramos positiva, afirmou, referindo-se à redução do preços dos passes.

A Fectrans entende que a redução de 35% do efectivo global das seis empresas ficou a dever-se “às políticas que foram seguidas”.