A planear um churrasco? Não o faça se quer salvar o planeta

Se os maiores consumidores de carne bovina e cordeiro reduzirem a sua ingestão semanal para 1,5 hambúrgueres até 2050, isso poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa e salvar as florestas de se tornarem terras agrícolas.

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Evan Wise/Unsplash

Para muitos, carne, peixe ou legumes grelhados no churrasco são sinónimo de Verão. Contudo, os consumidores devem repensar as suas opções se estão comprometidos na tentativa de salvar o planeta, sobretudo no que à carne diz respeito, defende um grupo de investigadores norte-americanos.

Se os maiores consumidores de carne bovina e cordeiro reduzirem a sua ingestão semanal para 1,5 hambúrgueres até 2050, isso poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa e salvar as florestas de se tornarem terras agrícolas, revela o World Resources Institute (WRI).

Actualmente, os americanos e os europeus comem o dobro dessa quantia e os brasileiros três vezes, avança Timothy Searchinger, principal autor do relatório WRI e investigador da Universidade de Princeton. “Esta é a solução mais promissora e realista”, considera, acrescentando que seria mais difícil reduzir o consumo total de carne no mundo.

Em 2010, os comensais dos EUA, Canadá, Europa, América Latina e ex-União Soviética compunham um quarto da população mundial, mas comiam mais da metade da carne (bovina, ovina e caprina) mundial, continua o mesmo estudo. A agricultura contribui com 11% das emissões globais de aquecimento do planeta, segundo as Nações Unidas, a maioria das quais provém de gases emitidos pelo gado durante a digestão e no esterco.

A expansão da terra agrícola também cria emissões, libertando dióxido de carbono – um dos principais gases do efeito estufa – e através do abate de árvores, que deixam de absorver esse mesmo dióxido de carbono.

A procura global por alimentos deve crescer mais de 50% até 2050 devido ao aumento populacional, mas atingir essa meta usando os sistemas agrícolas actuais teria resultados terríveis para os seres humanos e para o planeta, prevê o World Resources Institute. Isso “implicaria destruir a maioria das florestas remanescentes do mundo, eliminando milhares de espécies”, reforça o relatório.

Produzir uma tonelada de proteína de ovelhas, cabras ou vacas emite pelo menos quatro vezes mais gases de efeito estufa do que os porcos e oito vezes mais do que as galinhas, enquanto os ruminantes também exigem muito mais terra para pastoreio ou cultivo de ração.

Os cientistas têm trabalhado para reduzir as emissões de ruminantes por meio de medidas que incluem a selecção de raças, mas o fornecimento de alimentos de alta qualidade também ajudaria, permitindo que cada animal produzisse mais carne e leite, conclui o WRI.