É agora: novo 007 é uma mulher

No 25.º título de um dos mais bem-sucedidos franchises do cinema o número de código do famoso agente secreto foi confiado à actriz britânica Lashana Lynch. Bond continua a ser Bond, mas já não é 007. Estreia-se em Abril.

Lashana Lynch no papel da piloto Maria Rambeau em <i>Captain Marvel</i>
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Lashana Lynch no papel da piloto Maria Rambeau em Captain Marvel DR

Daniel Craig continuará a ser James Bond no próximo filme da saga, já em rodagem, mas, ao que tudo indica, será Lashana Lynch a usar o seu “número de série” já que os argumentistas deste novo título decidiram que o célebre agente secreto ao serviço de sua majestade vai abandonar o MI6.

A revelação foi feita pelo tablóide britânico The Mail on Sunday, que cita uma “fonte anónima” ligada ao filme que, ainda sem título oficial, vem sendo apresentado como Bond 25 e vai ser realizado pelo californiano Cary Joji Fukunaga, um estreante na saga que começou por adaptar ao cinema as aventuras do personagem criado por Ian Fleming em 1953.

Segundo o diário The Guardian, o filme abre com Bond/Craig — será a sexta e última vez que o também britânico Daniel Craig lhe veste a pele — na Jamaica, já reformado, a ser requisitado para resgatar um cientista das mãos de um novo vilão, interpretado por Rami Malek, o actor a quem a recriação de Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody valeu um Óscar.

“Há uma cena fundamental no começo do filme em que M diz ‘entra, 007’, e quem entra é Lashana, que é negra, bonita e uma mulher”, disse a mesma fonte citada pelo Mail. “É um momento de deixar cair as pipocas. O Bond continua a ser o Bond, mas foi substituído enquanto 007.”

Lashana Lynch tem 31 anos, tornou-se mais conhecida no começo do ano no papel da piloto Maria Rambeau de Captain Marvel e será um dos elementos de novidade neste Bond 25, que não tem tido um percurso fácil. Depois de Craig ter anunciado em 2015 que não voltaria a ser Bond — decisão que reverteu dois anos depois — foi a vez do realizador Danny Boyle, que fora chamado a substituir Sam Mendes, bater com a porta, alegadamente devido a divergências irreconciliáveis em torno do guião. O guião, esse, também já mudou de mãos diversas vezes: está agora nas de Phoebe Waller-Bridge, a actriz e escritora inglesa por trás das sitcoms Crashing e Fleabag.

A escolha de Lashana Lynch para 007 está a ser celebrada nas redes sociais, embora para já a informação seja escassa. Nada de estranhar, já que ela vai assumir parte da identidade que até aqui pertencia a uma personagem misógina, que ao longo de décadas tem vindo a objectificar as mulheres (talvez com apenas uma excepção, a Vesper Lynd de Casino Royale, de 2006).

“Tem havido muita discussão sobre se Bond é ou não relevante agora por causa da maneira como ele trata as mulheres. Acho que isso é ridículo. Acho que ele é absolutamente relevante”, disse já a argumentista Waller-Bridge. “O importante é que o filme trate as mulheres como deve de ser. Ele não tem de o fazer, ele tem de ser fiel à sua personagem.” Uma personagem que já foi desempenhada por Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

A novidade em torno de Lashana Lynch vem agora juntar-se a outra, revelada há dias, que dá como certo o regresso de Christoph Waltz, o actor que foi o vilão Blofeld no capítulo anterior da série, Spectre (Sam Mendes, 2015).

Bond 25, o segundo filme com a história confiada a uma mulher deste franchise que se estreou em 1962 com Dr. No, está a ser rodado na Inglaterra, na Noruega e em Itália, e tem estreia anunciada para Abril de 2020 (dia 9 nas salas portuguesas, segundo o site IMDb).