Single Parents, o humor em ser-se pai

A ex-Gossip Girl Leighton Meester e a estrela do Saturday Night Live Taran Killam juntam-se numa série de comédia em que há viúvos, divorciados, traídos – todos eles pais solteiros. E com a certeza imposta de que é possível haver vida além dos filhos.

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Os cinco solteiros no centro da trama DR

Foi das criadoras de New Girl que saiu a ideia de se fazer uma série de comédia sobre as peripécias de um grupo de cinco mães e pais solteiros, assim como dos seus filhos de dez anos, estranhamente adultos na forma de falar. À semelhança de outras séries do canal Fox Comedy, onde é transmitida, o título da série é mantido em inglês: chama-se Single Parents e, como o nome indica, centra-se no dia-a-dia de um grupo de pais solteiros que se tornam amigos porque os filhos frequentam a mesma escola. Entre eles, há viúvos, divorciados, traídos – e a certeza imposta de que deve haver vida além dos filhos.

A série estreou-se na semana passada no canal Fox Comedy e faz parte da programação de Verão do canal, sendo transmitida de segunda a sexta-feira, às 20h40 – segundo a Fox, os 23 episódios de cerca de meia hora fazem parte dos 170 episódios que serão preludiados durante o Verão. Nos Estados Unidos, a primeira temporada da série foi transmitida no final de 2018, no canal ABC.

É escrita e produzida por duas mulheres: Elizabeth Meriwether e J. J. Philbin, as mesmas duas que estiveram envolvidas na produção de Jess e os Rapazes, protagonizada por Zooey Deschanel. A série foi um sucesso, renovada temporada após temporada, ainda que o número de espectadores fosse decrescendo com os anos, quando a narrativa se foi tornando também ela um tanto cíclica e espremida. Começou com uma média de 6,5 milhões de espectadores na primeira temporada (2011), mas acabou com uma média de 1,4 milhões de pessoas a assistir, legalmente, nos EUA.

Os arcos narrativos das duas séries têm algumas semelhanças, como nota o site especializado IndieWire: há um solteiro aluado e alheado da realidade (Jess em Jess e os Rapazes e Will Cooper em Single Parents), assim como um grupo de amigos inicialmente reticentes em ajudá-lo que depois se juntam para o “salvar”, no momento em que a sua crise de identidade se agrava.

O primeiro episódio foca-se precisamente no “vórtice” em que caiu a personagem interpretada por Taran Killam (a estrela do Saturday Night Live), depois de se tornar pai. Deita-se antes das dez da noite, não tem relações sexuais há cinco anos e abdica da sua vida social para se dedicar inteiramente à educação da filha.

Depois de a série Making History ter sido cancelada pela Fox, também a actriz norte-americana Leighton Meester – a Blair de Gossip Girl – foi “resgatada” para se tornar uma das protagonistas de Single Parents, na pele de Angie D’Amato. O elenco conta ainda com Brad Garrett (o Robert Barone de Todos Gostam do Raymond e que deu voz ao chef Gusteau em Ratatouille), e outros nomes como Kimrie Lewis e Jake Choi.

As séries que se centram sobretudo nas peripécias da vida familiar não são escassas – tome-se como exemplo produções recentes tão variadas quanto Uma Família Muito Moderna ou Catastrophe, mais viradas para o lado de comédia; ou outras mais dramáticas, como This Is Us ou The Romanoffs. Também as há em torno de pais e mães solteiras: Better Things, que tem Pamela Adlon em grande plano, é um exemplo.

Neste caso, Single Parents é pontuada com alguns dos lugares-comuns típicos de sitcoms e com figuras que acabam por se encaixar em certos personagens-tipo, como o homem branco rico ou o millenial materialista perdido na vida (que, aqui, não sabe bem como tomar conta do filho recém-nascido). Para a Hollywood Reporter, Single Parents encosta-se um pouco à noção de que criar um filho “de forma desorientada e não conformista é de alguma forma mais original, quando não é”. Mas encontra frescura em alguns discursos e na forma como as crianças da série assumem um papel de juízes morais, falando como se fossem adultos e, por vezes, de forma quase académica.

Single Parents foi já renovada para uma segunda temporada, que deverá ter início em Setembro, nos EUA. Não há ainda data prevista para Portugal.