Kengo Kuma é o arquitecto escolhido para projectar a ampliação do jardim da Gulbenkian

Japonês é também o autor do projecto para o Matadouro do Porto e do novo Estádio Nacional de Tóquio.

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O projecto de Kengo Kuma inclui uma pala a ligar o edifício da Colecção Moderna ao novo percurso dos jardins cortesia Luxigon
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O novo jardim irá respeitar a estética do actual cortesia Luxigon
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As duas palas terão cerca de 1600 metros quadrados cortesia Luxigon

O arquitecto japonês Kengo Kuma (n. Yokohama, 1954) foi o escolhido pela Gulbenkian para projectar a ampliação dos jardins da fundação em Lisboa, e também a nova entrada de acesso ao antigo Centro de Arte Moderna (CAM), agora designado Colecção Moderna do Museu Gulbenkian.

Kengo Kuma é o autor, com o gabinete português OODA, do projecto de requalificação do Matadouro Municipal do Porto – cujo avanço foi entretanto entravado por discordâncias do Tribunal de Contas quanto às condições do empreendimento –, e também do novo Estádio Nacional de Tóquio, que vai receber a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do próximo ano. Foi ele o vencedor do concurso internacional de ideias que a Gulbenkian lançou em Março, quando convidou 12 ateliers nacionais e internacionais a desenhar o alargamento dos jardins e a sua abertura à cidade.

A notícia da escolha de Kuma foi avançada este sábado pelo semanário Expresso, a quem a presidente do conselho de administração da Gulbenkian, Isabel Mota, explicou que com o jardim ampliado entre a Praça de Espanha e o Largo de São Sebastião da Pedreira – para os quais a Câmara de Lisboa tem projectos de renovação – irá “formar-se um amplo conjunto urbanístico requalificado para oferecer à cidade”.

O espaço a intervencionar, com uma área de mais de oito mil metros quadrados, resulta da compra pela Fundação Gulbenkian, em 2005, do jardim da Casa de Santa Gertrudes, de Maria Teresa Eugénio de Almeida, viúva do criador da fundação alentejana com este nome. A morte da proprietária, em 2017, permitiu a associação dos dois jardins, “aguardando-se apenas a fixação da linha divisória entre os prédios das fundações Eugénio de Almeida e Calouste Gulbenkian”, explica a fundação em comunicado. A Gulbenkian avançou então para o concurso destinado a escolher o projectista do alargamento do jardim que, no início da década de 1960, foi desenhado pelos arquitectos António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles.

Além de intervir nos jardins, o projecto de Kengo Kuma vai criar uma nova acessibilidade para o edifício da Colecção Moderna, que simultaneamente verá a sua área expositiva aumentada em cerca de 700 metros quadrados. Serão criadas novas entradas para o jardim, a sul e a poente, e novos percursos de ligação aos edifícios da sede e do museu, sempre “num respeito total pelos valores arquitectónicos da fundação”, diz a Gulbenkian.

O projecto do arquitecto japonês prevê a construção de duas palas de cerâmica vidrada branca e madeira com cerca de 1600 metros quadrados junto à fachada sul do edifício que agora acolhe a Colecção Moderna.

A Gulbenkian estima que o novo projecto, que deverá orçar-se em cerca de dez milhões de euros, possa ficar concluído em 2021. No entanto, é ainda necessária a autorização dos serviços respectivos da Câmara Municipal de Lisboa.

A escolha de Kengo Kuma – que a Gulbenkian irá apresentar publicamente no próximo dia 19 de Julho – ​​foi decidida, “por unanimidade”, esclarece a fundação, por um júri presidido pela administradora Teresa Patrício Gouveia de que fizeram parte José Neves Adelino, também administrador da Gulbenkian, e os arquitectos Gonçalo Byrne, Luís Ribeiro e Emilio Tuñón.

Os arquitectos convidados a participar no concurso, ao que o PÚBLICO apurou, foram os portugueses Inês Lobo, Patrícia Barbas, Pedro Domingos e os ateliers Aires Mateus, Menos É Mais (Francisco Vieira de Campos + Cristina Guedes) e SAMI (Inês Vieira da Silva + Miguel Vieira), além do inglês John Pawson, da mexicana Tatiana Bilbao, da brasileira Carla Juaçaba, do também japonês Junya Ishigani e do atelier suíço Christ & Gantenbeim.