Dona da Fidelidade e BCP salva Thomas Cook com injecção de 835 milhões

A Fosun está a negociar um pacote financeiro para recuperar a agência de viagens britânica, assegurando a continuidade das operações em plena época de férias de Verão.

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Reuters/Paul Hanna

A Fosun - que controla a seguradora Fidelidade e é a maior accionista do BCP - está a preparar uma injecção de dinheiro fresco na Thomas Cook (onde já detém 18%) para salvar a agência de viagens, cujas contas têm vindo a degradar-se nos últimos anos. Desta forma, a actividade da companhia especializada em pacotes de férias, que também opera uma companhia aérea com o mesmo nome, irá permanecer sem perturbações durante a época alta do turismo actualmente em curso.

O grupo chinês irá injectar 750 milhões de libras (835 milhões de euros) na sequência de um processo negocial que já dura há alguns meses. Os pormenores da operação financeira ainda não são conhecidos, mas segundo noticia o The Guardian, a Fosun ficará como maior accionista da unidade de venda de pacotes turísticos e com uma participação minoritária na companhia aérea. Em paralelo, os restantes accionistas da Thomas Cook ficarão com as respectivas participações diluídas, depois de ser concretizada uma transacção que visa refinanciar a elevada dívida da agência junto dos bancos credores. 

A Thomas Cook - que está há 178 anos em actividade - registou um prejuízo de 1,5 mil milhões de libras no seu primeiro semestre fiscal, depois de ter sofrido perdas superiores a 1,1 mil milhões na sua actividade principal de venda de pacotes turísticos. A dívida total ascende a 1,25 mil milhões de libras e a tesouraria estava sob uma crescente pressão de falta de financiamento. A solução agora encontrada substitui um plano anunciado em Maio que previa a injecção de 300 milhões de dólares pela Fosun, o encerramento de 30 agências e o despedimento de 300 trabalhadores. 

As acções da empresa britânica reagiram mal a este acordo, tendo arrancado o dia a perder 46% para um mínimo histórico de 7,1 pence. Uma desempenho que agrava uma tendência iniciada em Maio, quando os analistas alertaram para o fraco potencial de valorização dos títulos da agência que emprega mais de 22 mil pessoas. 

Com este investimento, a Fosun acelera a aposta na diversificação da actividade, depois de investimentos como a compra da cadeia de hotéis e resorts Club Med por mil milhões de euros ou o clube de futebol inglês Wolverhampton Wanderes (por 50 milhões), onde é parceira do empresário português Jorge Mendes e conta com um elevado contingente de jogadores portugueses às ordens do treinador Nuno Espírito Santo. Isto, para além das áreas centrais da actividade da Fosun no sector financeiro português, entre seguros (controla 85% da Fidelidade em parceria com a Caixa) e banca (detém uma posição de 27% do BCP). Aliás, parte da participação (18%) que a Fosun detém na Thomas Cook está atribuída à própria Fidelidade (uma parcela de 7,23%). 

“A Fosun é uma accionista da Thomas Cook porque é uma empresa britânica a operar na indústria global do turismo, sector onde temos uma vasta experiência. Somos um investidor dedicado, com um historial de recuperar marcas icónicas como o ClubMed e o Wolverhampton Wanderers”, sublinhou um porta-voz da Fosun citado pela imprensa britânica. 

Já o presidente-executivo da agência de viagens, Peter Fankhauser, sublinhou que “depois de avaliar um alargado leque de opções para reduzir a nossa dívida e para colocar as nossas finanças numa posição de maior solidez, a administração decidiu avançar com um plano para recapitalizar o nosso negócio, suportado por uma injecção substancial de dinheiro fresco dos nossos accionistas de longo prazo Fosun e dos nossos principais bancos financiadores”. 

Adicionalmente, Fankhauser destacou que se trata de uma solução “pragmática” e “responsável”, garantindo que os milhares de clientes podem manter as suas férias programadas ou marcar novas viagens sem risco de perturbações. “Os nossos clientes podem fazer reservas sem problemas. Temos recursos necessários para continuar a gerir a nossa actividade”, afirmou, acrescentando a empresa que esta injecção assegura o seu futuro até ao final do próximo ano.