PS-Porto: quer ser deputado? Apresente candidatura

Concelhia aposta num modelo novo para a Indicação de candidatos ao Parlamento. Em Braga, escolha de candiadtos gerou polémica.

Renato Sampaio preside à concelhia do PS-Porto desde Janeiro de 2018
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Renato Sampaio preside à concelhia do PS-Porto desde Janeiro de 2018 NELSON GARRIDO / PUBLICO

Os nomes dos candidatos a deputados nas legislativas de Outubro a indicar à distrital pela concelhia do PS-Porto serão conhecidos e votados sexta-feira à noite, em reunião deste órgão. Desta vez, o processo de escolha dos candidatos é inovador, assentando num “modelo participativo” em que quem entender ter perfil para deputado deve formalizar “uma candidatura” que será submetida a votação.

“Há pessoas que me manifestaram interesse em serem indicados para as listas”, declarou ao PÚBLICO o líder concelhio, Renato Sampaio. O também deputado, que já disse não pretender voltar a ser eleito para o Parlamento, acrescenta que “os militantes são livres de dizer que querem ser indicados para as listas”.

Defensor desta solução, Fernando Oliveira, também dirigente da concelhia, diz tratar-se de um “modelo mais transparente e com outra legitimidade” e informa que esta solução “consta da proposta de candidatura de Renato Sampaio” ao PS-Porto. Ao PÚBLICO, Oliveira reconhece que a saída, por diferentes motivos, dos deputados Alberto Martins, Isabel Santos, Renato Sampaio, Luísa Salgueiro, Gabriela Canavilhas e Fernando Jesus abre a porta a novos candidatos. Em 2015, a lista do PS foi encabeçada por Alexandre Quintanilha.

“Já manifestei ao secretariado da concelhia a minha vontade em ser deputado. É um desfio que gostava de assumir”, revela o ex-deputado municipal do Porto. “Para além de mim, há outras pessoas interessadas e aqueles que têm vontade de ir nas listas têm de ter o apoio da concelhia, têm de ter os votos de quem decide”, sublinha Fernando Oliveira, reconhecendo que até ao dia da votação dos nomes vai ter de ter trabalhar muito.

Mais cauteloso, Avelino Oliveira, outro dirigente, encara esta solução como um “modelo de participação” da concelhia na selecção dos nomes para as listas de deputados. Ao PÚBLICO, Avelino Oliveira não assume que quer fazer parte das listas, mas também não recusa essa possibilidade, e sublinha que, apesar de o modelo ser mais participativo, a “complexidade"das listas de deputados não desaparece. “O modelo estará a ser afinado entre as duas sensibilidades da concelhia": a facção Renato Sampaio, que ganhou a concelhia sem maioria; e a facção Tiago Barbosa Ribeiro, alinhado com o presidente da distrital, Manuel Pizarro.

Mas se o Porto está ainda a dar os primeiros passos na indicação dos nomes – a distrital reúne-se dia 19 –, Braga já encerrou o processo, tendo indicado o deputado e presidente da distrital, Joaquim Barreto, em terceiro lugar, deixando os dois primeiros para a quota nacional. Para o quarto e quinto lugares, foram sugeridos o deputado e presidente da concelhia do PS de Guimarães, Luís Soares, e Ana Maria Silva (de Barcelos). Pedro Sousa (Braga); o deputado Nuno Sá (Famalicão); Palmira Maciel (presidente da distrital das Mulheres Socialistas de Braga); Daniel Basto (líder da concelhia de Fafe) e Dora Gaspar (Vizela) seguem-se na lista.

A reunião decorreu num ambiente de grande tensão, segundo revelaram ao PÚBLICO fontes socialistas. Os presidentes das concelhias do PS de Vila Verde e Barcelos, José Morais Manuel Mota, ficaram zangados com os lugares (14.º e 15.º) que a distrital de Braga lhes reservou, tendo Manuel Mota pedido para sair da lista. Joaquim Barreto substituiu o líder da concelhia de Barcelos por Casimiro Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Gilmonde, no concelho de Barcelos.