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Morreu Fernando de La Rúa, o Presidente que fugiu em plena crise argentina

O antigo chefe de Estado ficou conhecido por fugir da residência presidencial de helicóptero depois de ordenar às forças de segurança que reprimissem manifestantes durante a crise económica argentina, em 2001.

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Marcos Brindicci/Reuters

Fernando de la Rúa, que foi Presidente da Argentina de 1999 a 2001, morreu esta terça-feira com 81 anos, vítima de uma doença cardíaca.

No ano passado tinha sofrido dois ataques cardíacos. Os problemas cardíacos começaram em 2001, quando ainda desempenhava funções de chefe de Estado.

De la Rúa tomou posse a 10 de Dezembro de 1999 e renunciou ao cargo a 21 de Dezembro de 2001, quando o país mergulhou numa profunda crise económico-social, derivada da queda de entrada de divisas – as privatizações em massa levadas a cabo pouco antes compraram algum tempo – e consequente aumento da dívida argentina, exposta ao mercado financeiro e aos chamados fundos especulativos. Uma consequência política neoliberal levada a cabo nos anos anteriores, diz a Folha de São Paulo.

Para tentar resolver o que viria a ser uma das piores crises económicas no país, De la Rúa optou pela mesma política neoliberal do seu antecessor, Carlos Menem, ao convidar o antigo ministro da Economia, Domingo Cavallo, para o  Governo. A austeridade foi a opção escolhida, a crise aprofundou-se e o desemprego aumentou, e a convulsão social tomou conta das ruas do país. Carros foram queimados, lojas pilhadas e bancos destruídos. E a dívida externa não parou de subir, com apelos públicos para o seu não pagamento.

As manifestações sucediam-se até que, a 20 de Dezembro de 2011, De la Rúa decretou o recolher obrigatório e ordenou às forças de segurança que avançassem contra os manifestantes, causando a morte a 39 e ferimentos em mais de 400. Foi o fim do seu mandato.

As manifestações não pararam e, pressionado pelas ruas, o Presidente abandonou a residência oficial, a Casa Rosada, em Buenos Aires, de helicóptero, pouco antes de renunciar ao mandato presidencial. Fugiu do país e afastou-se da vida pública, mas ainda hoje as fotografias do helicóptero a descolar são das mais simbólicas desse período e percorreram o mundo na altura.

A sua renúncia mergulhou o país na incerteza e nos anos que se seguiram, numa Argentina mergulhada em crise, os seus sucessores – Adolfo Rodríguez Saá (2001-01) e Eduardo Duhalde ­(2002-03) – não se mantiveram no cargo por muito tempo, arrastando o país para a instabilidade política constante. 

De la Rúa decidiu anos depois regressar à Argentina e deparou-se com duas investigações por suspeita de subornos a senadores para que leis fossem aprovadas e por responsabilidades na morte dos manifestantes em 2001. Acabou por ser ilibado de ambas as acusações, mas a sua imagem ficou para sempre manchada. Antes de ser Presidente foi deputado, senador e presidente de Câmara de Buenos Aires. 

“Lamentamos a morte do ex-Presidente Fernando de la Rúa. A sua trajectória democrática merece o reconhecimento de todos os argentinos”, reagiu o Presidente argentino, Mauricio Macri.

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