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Um novo olhar sobre o Prémio Novos Artistas

Inês Grosso, Sara Antónia Matos e João Silvério são os três curadores da 13.ª edição do Prémio Novos Artistas Fundação EDP. Os três curadores guiaram-nos pela exposição que decorre até 9 de Setembro, na Central Tejo da Fundação EDP, em Lisboa, e falaram sobre os principais desafios desta edição.

O ponto de encontro estava marcado na Central Tejo, no Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa. À entrada da exposição do Prémio Novos Artistas (PNA) da Fundação EDP estavam os curadores dos seis finalistas prontos a fazer-nos uma visita guiada pelos trabalhos desenvolvidos no decurso desta 13ªedição.

A obra de DeAlmeida e Silva faz as honras da casa.

“Todo este processo começa com a selecção dos artistas num conjunto muito vasto de quase 600 candidaturas e, após uma selecção em conjunto com os outros curadores, ficamos designados a acompanhar dois artistas”, começa por explicar Sara Antónia Matos que acompanhou Isabel Madureira de Andrade e o DeAlmeida e Silva durante a produção das respectivas obras. Fruto de um processo continuado de investigação, experimentação e diálogo, Isabel Madureira de Andrade explora a cor em tela pela primeira vez e DeAlmeida e Silva brinca com a figura humana numa pintura em grandes dimensões.

 

“A nossa função é orientar, responder a questões, chamar para problemáticas de espaço (por exemplo, como é que a obra vai ser instalada) e, portanto, dar a confiança ao artista para testar novas metodologias e novas dimensões de trabalho. Por exemplo, fornecendo referências de outros artistas que trabalham os mesmos assuntos”, acrescenta a curadora. “A grande dificuldade, mas que também é um grande desafio deste prémio, é que não é uma exposição só sobre um artista ou que obedeça a uma temática”, adianta a curadora Sara Antónia Matos. “Eu penso poder dizer, sem desmerecer qualquer edição anterior, que esta edição é muito equilibrada. No caso dos seis finalistas, trabalhando assuntos diferentes com metodologias diferentes e resultando em materializações diferentes no espaço, sentimos que há um equilíbrio em termos de qualidade muito bom.”

 

O som que ecoa da próxima sala chama à atenção de todos os visitantes. “Assumi a curadoria da AnaMary Bilbao e Mónica de Miranda”, introduz João Silvério. “Foi desafiante e confesso que até foi uma aprendizagem para mim. No fundo, é uma exposição colectiva que não tem tema”, reforça o curador. Através da fotografia e vídeo, Mónica de Miranda criou uma instalação que debate o colonialismo e a imigração africana, enquanto AnaMary Bilbao apresentou uma série de fotografias e uma projecção de som de ondas do mar com a questão: “Como interromper a eternidade?”. Obras inéditas, criadas de raiz que, na voz do seu curador, ganham uma dimensão museológica com uma escala que nem sempre é fácil produzir mesmo que se trabalhe com uma galeria. “Ser seleccionado para um prémio que decorre há 19 anos e que já teve 80 artistas expostos é uma grande valia.”

Inês Grosso concorda. Segundo a curadora, “em termos de visibilidade e em termos de possibilidade de trabalhar numa instituição que tem toda a estrutura de produção e de comunicação, é de facto, um momento muito importante na carreira”. Instituído em 2000, funciona como uma rampa de lançamento para os novos artistas que ambicionam construir uma carreira sólida a nível nacional e internacional como Joana Vasconcelos, Leonor Antunes, Vasco Araújo e Carlos Bunga. Adquirir e expor o trabalho de artistas vencedores e finalistas ao longo das suas carreiras tem sido um dos objectivos da Fundação EDP desde a sua criação, acompanhando os percursos artísticos dos finalistas e vencedores. E, assim, a visita prossegue.

Atrás de umas cortinas pretas esconde-se o trabalho intitulado “Dead Grip” de Diana Policarpo, que venceu a edição deste ano dos PNA. A artista visual e compositora apresenta às escuras um projecto multimédia com canais de áudio e animações digitais para consciencializar para a exploração excessiva de um fungo no Nepal. Também sob curadoria de Inês Grosso, sobe-se umas escadas até ao trabalho de Henrique Pavão que investiga os temas da construção e desconstrução numa viagem ao México, seguindo a história do artista norte-americano Robert Smithson, que também explorou o património histórico deste país nos anos 60. “Foram dois artistas que fizeram duas viagens de pesquisa internacionais e, ao longo do processo, estivemos sempre em contacto. Como curadora, senti que também estava a viajar para cada um destes destinos”, conta Inês Grosso.

À saída da galeria, cada visitante pode ainda rever os trabalhos dos artistas participantes e textos inéditos dos curadores de anos anteriores. Ao longo de duas décadas de história, o Prémio Novos Artistas Fundação EDP mapeou a trajectória de sucessivas gerações do universo artístico nacional.

A exposição dos trabalhos resultantes desta 13.ª edição está patente até 9 de Setembro, de segunda a domingo (excepto à terça-feira), das 11h às 19h, Central Tejo, no Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia.

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