Madeira: CDS disponível para acordo de governo, JPP ainda vai pensar

Eleições regionais podem não resultar numa maioria absoluta. O CDS diz estar mais próximo do PSD, mas com esforço também pode chegar ao PS. JPP diz não aos social-democratas e vai pensar no caso do PS.

Rui Barreto é o líder do CDS  na Madeira, na foto à esquerda de Assunção Cristas
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Rui Barreto é o líder do CDS na Madeira, na foto à esquerda de Assunção Cristas LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Da “linha vermelha” chamada PSD que o Juntos Pelo Povo (JPP) estabelece, ao “caderno de encargos” que o CDS diz ser o programa eleitoral que vai apresentar ao eleitorado, a matemática pós-eleitoral das eleições para a Assembleia Regional da Madeira de 22 de Setembro poderá não ser tão simples, como tem sido nos 43 anos de autonomia política.

Pela primeira vez, o PSD que governa o arquipélago desde 1976, primeiro pela mão de Alberto João Jardim e a partir de 2015 com Miguel Albuquerque na liderança, poderá não chegar à maioria absoluta. Há quatro anos, quando o PS se afundou (foi o quarto partido mais votado atrás de CDS e JPP), a maioria ficou presa por um único deputado. Agora, com os socialistas a subirem à boleia do antigo presidente da Câmara do do Funchal, Paulo Cafôfo, as contas podem ser mais difíceis de fazer. É neste quadro, que CDS e JPP podem ser chamados à mesa de negociações, pelo partido que quiser ser governo na região autónoma.

Rui Barreto, líder do CDS-Madeira, ressalva que “primeiro é preciso ouvir o povo”, mas sente que existe “uma vontade” de não conferir uma maioria absoluta a nenhum partido. “Será de salutar, porque vai promover o diálogo, trazer uma nova dialéctica e novos protagonistas.” É também, reconhece, uma “oportunidade” para o CDS. Mas não, a qualquer custo. “O nosso caderno de encargos é o programa de governo que vamos apresentar”, sublinha ao PÚBLICO, rejeitando viabilizar governos mediante acordos parlamentares.

“Os acordos de incidência são coisas híbridas, e nisto ou estamos dentro ou estamos fora”, argumenta, avisando que o CDS só estará disponível para um acordo de coligação. “Espero que aconteça”, lembrando que ideologicamente, desde a fundação do partido em 1974, que os centristas estão mais próximos do PSD. A proximidade facilita, mas a maior distância para com o PS não inviabiliza à partida um eventual acordo de governo. “Será sim, necessário um maior esforço de aproximação”, afirma Rui Barreto.

Mais reticente está o JPP. O partido que nasceu em 2015, de um movimento popular com o mesmo nome, rejeita qualquer acordo com o PSD e torce o nariz ao PS. “Estamos cada vez mais distantes quer do PSD, quer do PS. A diferença entre eles é o ‘D’, nada mais”, afirma Élvio Sousa, o secretário-geral do JPP, que não vê qualquer hipótese de entendimento com o PSD. “É o nosso adversário político, e é uma linha vermelha que estabelecemos”, continua, explicando que com o PS, “apesar das diferenças”, as portas não estão fechadas.

“Neste momento não há, nem está previsto haver qualquer aproximação ou conversas nesse sentido. Seria trair o eleitorado”, ressalva, até porque Élvio Sousa tem bem presente o resultado da coligação eleitoral com o PS e Bloco de Esquerda que apoiou (e elegeu) Paulo Cafôfo para um segundo mandato na Câmara Municipal do Funchal. “Não havia diálogo. Havia sim um centralismo do PS”, diz, explicando as razões que levaram o JPP a retirar o apoio ao executivo municipal.

Depois de 22 de Setembro, e se houver margem para um acordo do lado do PS, Élvio Sousa diz que o JPP não se vai precipitar. Qualquer decisão só será tomada após auscultar os órgãos do partido e ouvir os eleitores. “Vamos fazer isso através do contacto pessoal e com ferramentas tecnológicas [inquéritos on-line] perfeitamente auditadas.”