Costa diz que nunca fará “chantagem com os portugueses” para pedir uma maioria absoluta

Em entrevista à Rádio Renascença, o primeiro-ministro fez um balanço positivo da “geringonça” e diz que os acordos à esquerda estão cumpridos.

António Costa
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António Costa LUSA/JOSÉ COELHO

O primeiro-ministro, António Costa, assumiu esta segunda-feira, numa entrevista à Rádio Renascença, que a “geringonça” está esgotada porque tudo o que estava nos acordos bilaterais assinados em Novembro de 2015 com PCP, BE e PEV foi cumprido. O que houver de novo terá de ficar para uma nova legislatura.

O primeiro-ministro foi ainda instado a avaliar a experiência governativa e classificou-a com um “bom”. “Há coisas em que foi excelente”, reconheceu. Mas, no geral, a avaliação é “bom”, concluiu.

Um dos primeiros temas introduzidos pelos jornalistas da Renascença foi a degradação dos serviços públicos, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde. “Estamos melhor do que em 2015”, defendeu o primeiro-ministro, recuperando números que tem repetido nos debates quinzenais.

António Costa aproveitou para explicar que, em matéria de listas de espera, o que faz com que sejam hoje mais extensas é um efeito “puramente estatístico”. “Reduzimos substancialmente o tempo de espera média aceitável de 270 para 180 dias”, garantiu, acrescentando que no ano passado foram feitas mais 16 mil cirurgias do que no ano anterior.

“Aquilo que compete a um governante é evitar criar novos problemas e trabalhar para resolver os que existem”, respondeu o primeiro-ministro quando lhe perguntaram se a situação nos transportes públicos era motivo para um pedido de desculpa aos portugueses. “É a consciência de que há problemas para resolver que justifica a recandidatura desta governação”, acrescentou. 

Sobre o processo relativo ao chamado caso Tancos, o primeiro-ministro diz “confiar no sistema de Justiça” e no ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes, lembrando que “ser arguido não significa ser acusado, quanto mais culpado”. 

A menos de três meses das eleições legislativas, o primeiro-ministro admite que um cenário de maioria absoluta será difícil, mas garante que nunca fará “chantagem aos portugueses”. “Nunca direi que só governo nesta ou naquela condição.”

Ainda a propósito do acordo governativo à esquerda, António Costa fez um balanço sublinhando o “respeito" para com “todos os parceiros que viabilizaram este Governo para responder àquilo que era imperioso ao país” e não fechou a porta a novos acordos. “Cada um, naturalmente, dirá que foi graças a si que os resultados foram melhores e que foi graças aos outros que foram piores”, afirmou o primeiro-ministro, sem deixar de reclamar a maior parte do mérito para o seu partido. “Ninguém teve dúvidas que a força dominante foi o Partido Socialista”, concluiu.