Deutsche Bank cria “banco mau” e corta 18.000 empregos

Depois de falhar a fusão com o Commerzbank, o maior banco da Alemanha, que terminou 2018 com prejuízos de 497 milhões de euros, vê-se forçado a apresentar um plano de reestruturação que, no imediato, vai ter um custo de 7,4 mil milhões de euros.

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Deutsche Bank anunciou a dispensa de quase 20% dos seus funcionários LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA

O Deutsche Bank, anunciou este domingo que vai suprimir 18.000 empregos até 2022, cerca de um quinto dos seus efectivos, no âmbito de um plano de reestruturação destinado a travar a espiral de prejuízos em que se encontra.

O maior banco da Alemanha - e um dos maiores do mundo​ - tem vindo a enfrentar crescentes dificuldades financeiras, estando a ser fortemente penalizado nos mercados nos últimos meses com quedas no valor das suas acções. O plano inicial passava por uma fusão com a outra grande instituição financeira alemã, o Commerzbank, mas depois do anúncio que de que as negociações para uma junção das duas entidades tinha falhado, o Deutsche Bank viu-se forçado a realizar, por si só, alterações profundas na sua actividade, que passam essencialmente pela saída do grupo do negócio de acções e a redução do banco de investimento.

Será também criado uma entidade destinada a gerir os activos relacionados com  a actividade do banco de investimento. Este “banco mau” terá como denominação “Capital Release Unit” e poderá vir a gerir activos no valor de 74 mil milhões de euros.

Fortemente penalizados com o plano de reestruturação vão ser, para já, os seus funcionários. A reestruturação irá implicar uma redução em 18.000 do número de funcionários até ao ano 2022, o que significa que, do total de 91.500 funcionários que actualmente estão no grupo financeiro, quase 20% serão dispensados.

O grupo alemão tem vindo a levar a cabo um processo de reestruturação com cortes de custos, em que se inclui a redução de pessoal, e já cortou milhares de postos de trabalho desde 2015.

Os responsáveis do Deutsche Bank explicaram, na apresentação do plano, querer reduzir os seus custos em seis mil milhões de euros, para voltar aos lucros. Em 2017, o grupo Deutsche Bank registou prejuízos de 497 milhões de euros. Já no primeiro trimestre desde ano o resultado líquido subiu 67%, para 201 milhões de euros.

No imediato, contudo, o plano de reestruturação irá penalizar as contas do grupo. De acordo com o anúncio feito, a reestruturação vai custar 7,4 mil milhões de euros, esperando-se que no segundo trimestre deste ano se registe um prejuízo líquido de 2800 milhões de euros.