Madeira: Cafôfo quer mudar relacionamento com Lisboa

Candidato socialista apresentou 100 compromissos para os primeiros 100 dias de governação. Foram poucas as novidades, num evento em tom de campanha.

Paulo Cafôfo é candidato pelo PS nas regionais da Madeira a 22 de Setembro
Foto
Paulo Cafôfo é candidato pelo PS nas regionais da Madeira a 22 de Setembro daniel Rocha

Quem estava à espera de ouvir um número redondo de compromissos para os primeiros 100 dias de um governo PS na Madeira, pode ter saído defraudado da iniciativa-comício que os socialistas madeirenses promoveram este sábado no Funchal.

Saíram ideias, sim. Uma centena delas, talvez. Mas foram poucas as novidades – novidades mesmo – que surgiram do evento, em que o candidato do partido à presidência do governo regional, Paulo Cafôfo, foi (literalmente) cabeça-de-cartaz. Falou-se em investir mais três milhões de euros na promoção da Madeira, para contrariar as quebras no turismo. Apontou-se para um plano de combate ao insucesso escolar e defendeu-se um calendário lectivo com apenas dois semestres.

Quantificou-se em 50 milhões de euros o aumento anual previsto para o investimento público. Ficou a promessa de abrir um concurso público para uma ligação ferry entre a Madeira e o continente durante todo o ano (a que existe, apenas funciona durante os meses de Verão), e a garantia de acabar com as quotas para a subida ao 5.º e 6.º escalão da carreira docente.

Dedicou-se espaço à saúde. À redução das listas de espera. Ao novo hospital que é preciso (e já tem construção prevista tanto no orçamento regional, como no Orçamento do Estado). E da urgência que é fechar o outro que já existe, o dos Marmeleiros, que de tão velho e degradado que está tem sido usado como exemplo do “falhanço” das políticas para a Saúde dos sucessivos governos do PSD na região autónoma.

Tudo ideias e propostas que já tinham sido articuladas mais de uma vez, desde que Paulo Cafôfo, o independente que ganhou a Câmara do Funchal em 2013 e 2017, assumiu-se como candidato pelo PS às regionais de 22 de Setembro. Agora, numa iniciativa já em clima de campanha eleitoral, ganharam novo fôlego, e novo palco.

“Não basta querer mudar, é preciso fazer diferente. É isso que estamos a fazer aqui hoje. A apresentar ideias”, disse Cafôfo, logo no início, da apresentação dos ‘100 compromissos para os primeiros 100 dias de governação’, falando no palco circular, colocado no centro da sala, onde, um após outro, foram subindo os coordenadores sectoriais dos Estados Gerais que o PS-Madeira tem promovido.

As propostas apresentadas pelo candidato socialistas foram divididas em quatro grandes áreas – Emprego e Oportunidades, Saúde e Solidariedade, Qualidade de Vida e Mudança e Inovação –, pretendem “devolver a esperança” aos madeirenses e “melhorar a qualidade de vida” no arquipélago.

“Isto não é um projecto de um homem só”, insistiu Cafôfo, ainda sozinho no palco, rodeado de público e cartazes com o seu nome. “O PS é um partido que sabe abrir-se à sociedade civil. Nós não somos um partido fechado”, continuou o candidato, acrescentando que não basta ganhar as próximas eleições. “É preciso governar bem.”

Não será, avisou, fácil. As alterações estruturais que o PS se propõe a fazer vão exigir muita coragem política e um novo relacionamento com a República, garantiu. “Não adianta estarmos numa gritaria do Funchal para Lisboa para esconder a incompetência”, apontou para o PSD, defendendo que a autonomia não é para “afastar”, mas para unir.

Mesmo assim, Cafôfo aproximou-se do discurso tão caro aos social-democratas no arquipélago. “O centralismo de Lisboa não é ficção. É real e ainda existe actualmente”, frisou, para dizer que será firme quando necessário for, mas primeiro haverá diálogo e responsabilidade.

No final, depois de ter conduzido no palco os coordenadores dos Estados Gerais, sublinhando a aposta que será feita no investimento habitacional, no mar como recurso científico e de desenvolvimento, e de ter deixado a garantia que, com ele no governo, seriam canalizados anualmente mais 25 milhões de euros para a contratação de funcionários públicos, a maioria para o sector da saúde, cedeu espaço para Emanuel Câmara, o presidente do PS-Madeira, fechar o evento.

“Não tenho dúvidas que Paulo Cafôfo será o protagonista da bonita história que o PS vai fazer em Setembro”, disse o líder dos socialistas madeirenses, que chegou à liderança depois de prometer que seria o autarca do Funchal, e não ele, a se candidatar à presidência do governo regional.