Eles fizeram um filme para “inspirar” os criadores de videojogos. Porque “o difícil não é impossível”

Apresentam-se como artistas, mas Portugal não os reconhece como tal. Os criadores de videojogos portugueses têm uma palavra a dizer — e, por isso, lançaram um vídeo para "inspirar as pessoas da comunidade". Produzido pela organização A Ludoteca, o filme Criadores de Jogos Portugueses #100anos traça o actual panorama português da área, apresentando ainda imagens de videojogos de produção nacional.

"No mundo mais ocidental, os videojogos são tratados como uma forma de arte emergente e tão válida como as outras. Se olharmos para Portugal e para outros países latinos, como a Itália ou a Grécia, há uma cultura de que os jogos servem para brincar", começa por explicar Isaque Sanches, responsável pelo texto e edição do vídeo, ao telefone com o P3. É, por isso, urgente ter uma maior "abertura a nível cultural" para ver os jogos como algo "para além de um escape". Para além disso, o criador de videojogos lamenta o facto de a cultura audiovisual ter os olhos postos apenas na sétima arte. "Todos os fundos vão para o cinema", diz Isaque, o que acaba por "antagonizar" os criadores que, muitas vezes, "optam por emigrar".

Na tentativa de "dar alguma fé a quem cá ficou e a quem está cá a trabalhar" — e porque ser criador de videojogos "é difícil em todo o lado" —  A Ludoteca, uma plataforma de promoção de videojogos portugueses, lança esta espécie de campanha, não para "controlar a narrativa, nem tomar as rédeas das mudanças que têm que ser feitas", mas sim para ser um "ponto de encontro" e uma "voz acolhedora" para criadores "que estejam perdidos".

Seja com mais exposição ou com uma apresentação "mais séria", a "bater à porta" de entidades com "mais legitimidade" ou a tentar colocar os jogos a "coexistir" com espaços cinematográficos e teatrais, é certo para Isaque Sanches que "há cada vez mais grupos de criadores de jogos a movimentarem-se para tentar mudar o paradigma" — até porque "os videojogos, como indústria, são extremamente rentáveis", acrescenta o criador.

"O que nós queremos é que sejam feitos mais videojogos, com mais alegria e de forma mais saudável", diz Isaque. E acrescenta: "O vídeo serve para lembrar que o difícil não é impossível." 

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