Peru abre as portas de Lima a cem países para “reunião ampla” sobre crise venezuelana

EUA, China e Rússia constam da lista de convidados do Governo peruano para um encontro em Agosto, onde se pretende soluções para o impasse político na Venezuela e a crise migratória.

Néstor Popolizio, ao centro, quer diálogo alargado a todas as partes
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Néstor Popolizio, ao centro, quer diálogo alargado a todas as partes Reuters/Guadalupe Pardo

O Governo peruano desafiou cerca de cem países, incluindo Estados Unidos, Rússia e China, a juntarem-se-lhe no próximo mês, em Lima, para debater soluções que ajudem a pôr fim ao impasse político na Venezuela e à crise migratória na região. Os representantes de Nicolás Maduro e de Juan Guaidó não foram convidados para a capital do Peru para “não se polarizar” um encontro que pretende encontrar pontos de convergência entre Estados com diferentes perspectivas de apoio e de oposição ao chavismo.

“Será uma reunião bastante ampla. O objectivo é que todos os países que têm, de alguma forma, uma relação com o que se está a passar na Venezuela, se sentem juntos pela primeira vez”, explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru, Néstor Popolizio, numa conferência de imprensa, na quarta-feira.

Citado pela agência EFE, o chefe da Diplomacia peruana sublinhou que o encontro – proposto ao nível ministerial e agendado para o dia 6 de Agosto – não tem como fim último a elaboração de um documento ou de uma posição conjunta, mas antes dar às partes a possibilidade de debaterem e dialogarem livremente sobre “a melhor maneira de recuperar a democracia na Venezuela”.

“Será uma reunião bastante ecuménica, para tentarmos determinar o que podemos fazer para encontrar uma solução para a crise política e para a necessidade de responder a uma crise humanitária urgente”, disse Popolizio.

Turquia, Cuba e Bolívia são outros dos países convidados, numa lista diversificada que inclui o Vaticano. Popolizio revelou ainda que a reunião não contará com representantes de nenhum dos lados da barricada política venezuelana. “Não queremos polarizar o encontro”, justificou.

O impacto da fuga massiva de venezuelanos para países como a Colômbia, o Equador, o Brasil ou o Peru – mais de 4 milhões em menos de cinco anos, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados –, também estará na agenda. Segundo o ministro peruano, “as capacidades destes países estão a sobrecarregadas” e é fundamental que a comunidade internacional “preste atenção” a esta situação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros peruano assumiu que o caminho para resolver o impasse passa por novas eleições e disse que os participantes no encontro devem “procurar um ponto de convergência que permita estabelecer um diálogo credível” nesse sentido.

O Peru pertence ao Grupo de Lima, que junta 14 países da América do Sul e Central, mais o Canadá, que tem como missão encontrar uma saída pacífica para a crise venezuelana, que passe pela realização de eleições livres e justas. A grande maioria dos seus membros reconheceu Guaidó como presidente interino, incluindo o Peru.