Alcochete: juiz recusa adiar e critica defesa

A advogada de Fernando Mendes pediu a libertação imediata do ex-líder da Juve Leo, alegando que sofre de uma doença oncológica.

Após dois adiamentos e apesar de enfrentar um novo pedido de escusa por parte de um advogado, o juiz Carlos Delca decidiu avançar com as diligências da instrução do processo sobre o ataque à Academia de Alcochete. Carlos Delca declarou o carácter "de natureza urgente" do processo, uma vez que o prazo para a conclusão da instrução é 21 de Setembro, e alegou que aquela é uma "forma hábil de empatar o tempo" por parte dos arguidos.

A sessão esteve interrompida devido a um engano dos serviços prisionais, que transportaram os detidos para o Montijo e não para Lisboa, mas acabaram por ser ouvidos os arguidos Hugo Ribeiro, Celso Cordeiro, Sérgio Santos e Elton Camará. Sérgio Santos confirmou ter estado na Academia, mas defendeu-se justificando ter sido "o penúltimo a entrar" e que, quando o fez, "já os outros tinham feito as asneiras todas". Explicou ainda ter "caído de pára-quedas" na Academia e negou ter estado escondido debaixo de uma árvore, explicando que até esteve à conversa com Jorge Jesus e William Carvalho.

Já Elton Camará, que se identificou como amigo de infância de William Carvalho, disse que o futebolista lhe pediu ajuda, assim como Jorge Jesus. Admitiu pertencer a um grupo de "WhatsApp" denominado "Chefes do Núcleo", mas negou a existência de mensagens com planos para invadir a Academia.

O advogado de Bruno de Carvalho, Miguel Fonseca, anunciou que irá participar disciplinarmente do juiz Carlos Delca por este ter permitido à procuradora Cândida Vilar fazer perguntas e ter impedido os advogados de exercer o contraditório.

A advogada de Fernando Mendes pediu a libertação imediata do antigo líder da claque Juventude Leonina, diagnosticado com uma doença oncológica. O juiz decidirá amanhã. Lusa