Trabalhadores dos CTT em greve na sexta-feira

Contratação de pessoal e defesa da renacionalização da empresa estão na lista de reivindicações, diz sindicato.

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Nuno Ferreira Santos

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) confirmou que os trabalhadores dos CTT vão avançar com uma greve geral na próxima sexta-feira.

Numa nota divulgada esta quarta-feira, o SNTCT revela que a greve geral, que decorrerá entre as 00h00 e as 24h00 do dia 5 de Julho, tem por motivos a reivindicação da renacionalização da empresa e a admissão “dos trabalhadores necessários para que a qualidade e universalidade do serviço sejam repostas”.

A paralisação, cuja data já tinha sido divulgada em Junho, visa ainda a “melhoria das condições de trabalho e fim das pressões e castigos a que muitos trabalhadores estão sujeitos diariamente”, bem como a “reposição do tempo de serviço que foi cortado entre 2010 e 2013”, refere o comunicado.

Segundo o SNTCT, “durante os anos de 2011, 2012 e 2013, a contagem do tempo de serviço para progressões e promoções foi congelada” na empresa.

“Os trabalhadores ficaram sem três anos na sua efectividade e sem mais de ano e meio nas diuturnidades. À semelhança de outros trabalhadores, nomeadamente professores e outros profissionais, exigimos a reposição desse tempo para efeitos de progressões na carreira, reposicionamento salarial e diuturnidades”, refere um comunicado que foi divulgado pela mesma estrutura sindical no mês passado.

Segundo o SNTCT, os trabalhadores também exigem à administração dos correios “salários justos e valorização profissional”.

A empresa, que passou a ser dirigida por João Bento em Maio, depois da saída de Francisco Lacerda do cargo de presidente executivo, enfrenta, além da contestação dos trabalhadores, desafios ao nível da regulação e do relacionamento com o poder político.

Os diferendos com a entidade reguladora, a Anacom, estão essencialmente relacionados com os níveis de qualidade de serviço exigidos ao prestador do serviço universal postal. Com o Governo, a polémica agudizou-se em face de uma das medidas mais polémicas dos últimos tempos: o encerramento de estações em várias sedes de concelho, principalmente no interior do país.

Quando esteve no Parlamento, em Junho, o novo presidente assegurou que a empresa não vai encerrar mais balcões e que vai reabrir alguns. CTT e Estado terão em breve de renegociar o contrato de prestação do serviço universal postal, que termina no final do próximo ano.

Em entrevista ao semanário Expresso, no início de Junho, o empresário Manuel Champalimaud, principal accionista dos CTT, com cerca de 13% do capital, afirmou que “o Estado é bem-vindo no capital” da empresa, cuja privatização concluiu em 2014.

Na terça-feira, o ministro das Infra-estruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou no Parlamento: “o Estado, connosco [PS], nunca excluirá nenhum cenário” sobre os CTT, “quando está em causa o interesse da nossa população”.

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