Bruno de Carvalho em tribunal: “Jogadores recusaram prémios antes de jogos com Benfica e Marítimo”

O ex-presidente do Sporting foi aplaudido por cerca de dez pessoas à chegada ao Campus da Justiça, onde decorre a fase instrutória do processo sobre o ataque à Academia de Alcochete.

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Bruno de Carvalho foi ouvido no Campus da Justiça, em Lisboa LUSA/JOão RELVAS
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Bruno de Carvalho
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Bruno de Carvalho foi ouvido no Campus da Justiça, em Lisboa LUSA/JOão RELVAS

Bruno de Carvalho afirmou esta quarta-feira, no Campus da Justiça, em Lisboa, que os jogadores da equipa principal do Sporting recusaram-se a receber prémios antes dos jogos frente a Benfica e Marítimo, nas últimas jornadas da época 2017/2018. O ex-presidente do Sporting foi aplaudido por cerca de dez pessoas à chegada ao tribunal onde nesta quarta-feira responde no caso dos ataques à Academia de Alcochete.

No depoimento, Bruno de Carvalho afirmou que “antes do jogo com o Benfica foi oferecido meio milhão aos jogadores, antes do jogo com o Marítimo igual e os jogadores recusaram”. “Nunca tinha visto um funcionário a recusar um prémio”, disse. “Coincidência ou não, o Sporting não consegue cumprir os objectivos. Um destes jogos originou o episódio no aeroporto [jogadores e adeptos protagonizaram uma discussão acesa]”, rematou o ex-presidente sportinguista.

Após a procuradora Cândida Vilar dizer que era “livre” de inquirir Carlos Vieira, ex-vice-presidente, responsável pela área financeira, Bruno de Carvalho e o seu advogado acusaram-na de estar a dirigir o testemunho sobre os acontecimentos após a derrota frente ao Marítimo. “Eu tenho o direito de ser livre e não sou por causa de si”, disse Bruno de Carvalho.​ A reacção intempestiva fez rir alguns dos arguidos da Juventude Leonina presentes e levou a que fosse repreendido por um oficial da PSP.

Bruno de Carvalho é acusado pelo Ministério Público de ser autor moral do ataque de 15 de Maio de 2018 na Academia de Alcochete, de que resultaram agressões a jogadores da equipa principal de futebol e elementos da equipa técnica. O antigo presidente do Sporting está acusado de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e de crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.

A defesa do ex-presidente “leonino” chamou quatro testemunhas, entre elas, Carlos Vieira, antigo vice-presidente do clube para a área financeira, e José Ribeiro, antigo assessor do clube.

O processo do ataque à Academia do Sporting CP em Alcochete pertence ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Barreiro, mas, por razões de logística e de instalações, esta fase instrutória vai decorrer na nova sala do edifício A do Campus da Justiça, no Parque das Nações, com a presença de jornalistas.

Em prisão preventiva continuam 36 dos 44 arguidos no processo, incluindo o líder da claque Juventude Leonina (Juve Leo), Nuno Vieira Mendes, conhecido como “Mustafá”, que viu a 6 de Junho o Supremo Tribunal de Justiça negar-lhe uma providência de habeas corpus (pedido de libertação imediata) e o ex-oficial de ligação aos adeptos Bruno Jacinto.

Esta terça-feira foram ouvidos os arguidos Hugo Ribeiro, Celso Cordeiro, Sérgio Santos e Elton Camará, numa sessão que começou com seis horas de atraso, devido a um engano dos serviços prisionais, que transportaram os detidos para o Montijo e não para Lisboa.

Destaque para os depoimentos de Sérgio Santos e Elton Camará. Ambos assumiram ter estado na Academia, mas o primeiro alegou ter sido “o penúltimo a entrar”, quando “já os outros tinham feito as asneiras todas”, enquanto o segundo revelou ser amigo de William Carvalho e afirmou que o ex-jogador do Sporting e Jorge Jesus lhe pediram ajuda.