Santander é o quarto banco a “penalizar” transferências MB Way

Valor da comissão a aplicar a parte dos clientes é de 93,6 cêntimos na MB Way e de 46,8 cêntimos na aplicação interna do Santander.

Chegaram as comissões MB Way do Santander, o quarto a cobrar pela funcionalidade
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Chegaram as comissões MB Way do Santander, o quarto a cobrar pela funcionalidade Ines Fernandes

O Banco Santander Totta já divulgou o valor das comissões a cobrar pelas transferências de dinheiro realizadas através de telemóveis, bem como os clientes que vão ficar isentos. Trata-se do quarto banco, depois do BPI, BCP e Caixa Agrícola a cobrar pela funcionalidade, em valores que ascendem a 93,6 cêntimos na aplicação (app) MB Way e a 46,8 cêntimos na app interna.

O MB Way é uma aplicação da SIBS (empresa que gere a rede Multibanco) que permite a realização de compras, transferências imediatas e levantamentos de dinheiro através de um telemóvel smartphone ou de um tablet. Sobre esta aplicação, vários bancos estão a disponibilizar soluções “fechadas”, cada um com a sua estratégia de isentar ou cobrar pelas transferências de dinheiro (as únicas que podem ser cobradas), sendo igualmente um meio utilizado para penalizar os clientes que insistam em utilizar a app original. Para os clientes em geral, é cada vez mais confusa a informação de quem, quanto e quando se cobra, razão por que começa a existir alguma percepção, embora não confirmada pela SIBS, de alguma retracção na utilização desta inovação tecnológica.

O Santander já tinha admitido que iria passar a cobrar as transferências, mas os valores a aplicar a partir de 10 de Setembro, bem como os clientes beneficiados ou discriminados ainda não era pública. De acordo com a informação divulgada, ficam isentos os clientes com cartões Stream e Maestro Jovem, #U, # Global U, e Mundo 123, quer utilizem a app Santander ou a app MB Way.

Em relação aos outros clientes, ficam isentas as primeiras três transferências por mês, “se o montante de cada uma não ultrapassar os 50 euros”, mas apenas se utilizarem a app criada pelo próprio banco. Se ultrapassar as três operações ou o valor ficar acima dos 50 euros cada uma, estes clientes passam a pagar 46,8 cêntimos (já com imposto de selo), mesmo que tenham instalado a aplicação Santander. Mais penalizados são os clientes que, não estando no grupo dos isentos, continuem a utilizar a aplicação criada da SIBS, que passarão a pagar 93,6 cêntimos (já inclui imposto de selo) por cada transferência.

O Santander é mais um banco a “fechar” o MB Way. Ao contrário das app internas, na MB Way é possível associar até oito cartões bancários, de várias instituições financeiras, desde que pertençam ao grupo dos bancos aderentes, já as soluções internas de banco são fechadas, ou seja, aceitam apenas os cartões bancários de cada instituição. A estratégia que está na base do desenvolvimento de soluções próprias também está a ser seguida pela Caixa Geral de Depósitos (que tem comissões previstas no preçário) e pelo Novo Banco, mas que ainda não iniciaram a cobrança.

A “penalizar” a MB Way está o BPI e o Millennium BCP e a Caixa Agrícola. O banco dominado pelos espanhóis do Caixabank deu o tiro de partida, cobrando (desde 1 de Maio) uma comissão de 1,248 euros (com imposto de selo), por cada transferência feita através dessa aplicação. Os clientes que optarem pela app interna estão isentos de custos.

O Millennium BCP começou a cobrar a 17 de Junho, também no montante de 1,248 euros (já com imposto de selo) na aplicação da SIBS e 52 cêntimos aos que utilizarem a app Millennium. Ficam isentos de custos os clientes mais jovens (até 23 anos), e os que têm contas Programa Prestige, Programa Prestige Directo, Portugal Prestige, Cliente Frequente ou Millennium Go! (mais de 50% dos clientes, segundo o banco). E o Crédito Agrícola também passou a cobrar 26 cêntimos por operação MB Way sempre que os destinatários da transferência sejam clientes de outros bancos, e não criou, até agora, qualquer aplicação interna.

A associação de defesa do consumidor tem contestado a criação de comissões no MB Way, acusando os bancos de criar um hábito para depois o passarem a cobrar e lançou uma petição que já juntou milhares de assinaturas com esta cobrança.

A cobrança de comissões no MB Way, e outros serviços, por parte da banca tradicional, está a acontecer numa altura em que se assiste à chegada de um novo paradigma nos sistemas de pagamentos. Ainda na semana passada, chegou a Portugal a Apple Pay, solução de pagamento que pode ser usada nos iPhones, Apple Watch, iPads e computadores Mac. Essa funcionalidade está aberta a clientes da Mastercard com contas no Crédito Agrícola ou nos bancos digitais Revolut, N26 e Monese, e ainda para clientes da Visa com um cartão Revolut.