Verão da Casa da Música estreia-se com concertos em “património urbano” de vários pontos do país

Até Setembro, a Casa da Música abre portas para receber o Verão, mas também para “momentos fora da casa”: o ciclo Orquestra no Património é a novidade desta edição, que leva concertos de Norte a Sul de Portugal. O programa estreia-se já esta noite, com Tony Allen e Jeff Mills.

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FERNANDO VELUDO/NFACTOS

Homenagens a Guilhermina Suggia, com a entrega do sexto prémio internacional Casa da Música/Suggia e com uma maratona de violoncelistas; o espectáculo Sonópolis, produzido pelo Serviço Educativo da instituição; concertos diários durante o mês de Agosto dedicados ao fado e à guitarra portuguesa; actuações na Área Metropolitana do Porto; e – novidade – a Orquestra no Património, uma iniciativa que promete levar concertos a património urbano de Norte a Sul do país. São estes alguns dos destaques do Verão da Casa da Música.

“O Verão está a custar a chegar”, mas António Jorge Pacheco, director artístico da Casa da Música, promete que está para breve, com a programação do Verão da Casa. A partir desta terça-feira, e até 11 de Setembro, há 76 eventos e concertos de “música erudita” – e 51 são de entrada livre.

O Verão da Casa arranca esta noite, 2 de Julho, com Tony Allen, baterista que inventou o afro-beat, e Jeff Mills, um dos fundadores do tecno de Detroit. Em dupla, “têm feito uma digressão europeia pelas principais salas de concerto” e trazem agora o disco Tomorrow Comes the Harvest à Sala Suggia, pelas 21h. O dia inaugural encerra com a DJ Siân na esplanada, a partir das 23h.

A grande novidade deste ano é o ciclo Orquestra no Património. “É uma iniciativa gigantesca pela sua envolvência, em termos de logística de produção e de mobilização dos músicos”, explica António Jorge Pacheco. De Norte a Sul do país, a Orquestra Barroca e a Orquestra Sinfónica do Porto terão concertos em “património urbano”. No Porto, estarão na Avenida dos Aliados: a primeira a 6 de Setembro, e a segunda logo a seguir, a 7. No resto do país, a Orquestra Barroca vai até Évora (5 de Setembro), Mafra (7 de Setembro), Faro (8 de Setembro), Castelo Branco (10 de Setembro) e Viana do Castelo (11 de Setembro). A Orquestra Sinfónica do Porto marcará presença em Lisboa (13 de Julho) e Braga (8 de Setembro).

“A Casa da Música é uma marca de prestígio, com enorme credibilidade, mas acho que lhe faltava adquirir esta dimensão nacional. Este ano esse paradigma irá mudar com estes concertos”, frisa o director artístico, que considera a iniciativa uma forma de levar a “música erudita até populações que normalmente não têm acesso a este tipo de música”. “É uma forma de valorizarmos o interior, de contribuirmos para a coesão territorial”, acrescenta.

Como de costume, não faltará a homenagem à violoncelista Guilhermina Suggia. “É ano ímpar, portanto, é ano de prémio”, lembra o director artístico. Assim, no dia 5 de Julho, será entregue o sexto prémio internacional Casa da Música/Suggia a um destes três finalistas: Jeremy Garbarg, do Conservatório Nacional de Música e Dança de Paris, Hyazintha Andrej, da Universidade das Artes de Zurique, e Élia Cohen Weissert, a representar o Conservatório Real de Bruxelas.

Ainda para homenagear Suggia, a Casa da Música vai promover uma maratona de violoncelistas (6 de Julho), com jovens estudantes de escolas vocacionais de todo o país, que, explica António Jorge Pacheco, tem tido um “número crescente de participantes”.

Ainda no que toca às actuações “dentro de portas”, na Casa da Música, o ciclo Portugal a gosto está de regresso. Em Agosto, todos os fins de tarde serão dedicados ao fado e à guitarra portuguesa, com concertos a decorrer na Sala 2. “É um período em que há muitos turistas e muito menos oferta musical na cidade e a Casa da Música sentiu-se quase na obrigação de responder a esta procura”, explica António Jorge Pacheco.

Também o Sonópolis está de regresso, a 7 de Julho. Produzido pelo serviço educativo, “é um espectáculo de teatro musical” que envolve todos os que passaram pelo curso de formação de animadores musicais, e que junta comunidades de vários contextos sociais e músicos amadores e profissionais.

Do cartaz fazem ainda parte os concertos na área metropolitana portuense. A partida é na Maia, com o Maya Symphonic, onde actuará a Orquestra Sinfónica, a 20 de Julho. Mais tarde, a 26 de Julho, a Orquestra Jazz de Matosinhos convida a cantora holandesa Fay Claassen, e, logo depois, no dia 27, a Orquestra Sinfónica convida Avishai Cohen, que junta o mundo do jazz ao da música clássica. Texto editado por Paula Barreiros