Medidas são boas mas devem ser permanentes, dizem ambientalistas

Dirigentes da Quercus e do Geota defendem aprofundamento das práticas ambientais sustentáveis pelos partidos em toda a sua acção política.

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O presidente da Quercus defende a retirada dos outdoors no prazo máximo de um mês após as eleições Rui Gaudencio

Para não serem consideradas eleitoralistas, as medidas ambientais defendidas na proposta do PS devem assumir um carácter permanente, em todas as suas acções e iniciativas, e dessa forma servir como exemplo a todos os cidadãos. É o que defendem os responsáveis das associações ambientalistas Quercus e GEOTA, em declarações ao PÚBLICO.

“A proposta apresentada abrange a maioria das actividades de campanha eleitoral, o que é positivo, mas seria um passo muito mais significativo e relevante, se o PS adoptasse critérios de actuação ambientalmente responsáveis e sustentáveis, como os que aqui anuncia, em todas as suas iniciativas e em todas as suas actividades - e não apenas durante a campanha eleitoral”, considera Patrícia Tavares, vice-presidente do GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente).

Na sua opinião, “o empenho que este partido assume na defesa do ambiente seria certamente mais credível e levaria, provavelmente, a uma emulação por parte de todos os partidos”, se assumisse um carácter mais perene e liderante. Porque, como acrescenta, “espera-se que um partido que adopta atitudes deste tipo apresente, em seguida, propostas políticas que promovam este tipo de prática na sociedade, sem o que este gesto se revelaria uma mera táctica eleitoralista”.

No mesmo sentido se pronuncia Paulo do Carmo, presidente da Quercus: “É fundamental que, para além das campanhas eleitorais, os partidos se comprometam em toda a sua linha de acção futura, adoptando práticas ambientais mais sustentáveis”. Aliás, o dirigente recorda que, pelo menos desde 2016, esta associação ambientalista “tem promovido, junto dos partidos políticos e da comissão nacional de eleições, a adopção de práticas que reduzam os impactos ambientais na realização das campanhas eleitorais”.

A dirigente da GEOTA não subestima, no entanto, a iniciativa socialista. “Num tempo como aquele em que vivemos, de emergência climática e de destruição rápida das condições de vida na terra, e em que alguns líderes políticos negam as evidências científicas de destruição ambiental, é positivo que um partido nacional tente adoptar na sua campanha eleitoral medidas correctas de carácter ambiental que transmitam ao cidadão a necessidade de mudanças de hábitos no sentido certo e que sublinhe a responsabilidade das organizações políticas nessas mudança”, afirma Patrícia Tavares. “Os nossos representantes políticos têm de perceber a importância do exemplo que dão a todos os cidadãos e devem incorporar no seu dia-a-dia as mudanças necessárias a uma sociedade mais equilibrada”, diz ainda.

Sobre as medidas em concreto, os dois dirigentes defendem que se podia ter ido mais longe. Em matéria de mobilidade, os dois ambientalistas afirmam que se devia promover o transporte colectivo em detrimento do individual, mesmo se eléctricos ou híbridos, lembrando Patrícia Tavares que é uma prática utilizada por políticos de outros países europeus. “Para além da sua vertente ambiental, permite uma mais estreita ligação ao cidadão e um conhecimento do seu quotidiano que falta muitas vezes aos seus representantes”, analisa.

Nos comentários às propostas, os ambientalistas acrescentam algumas sugestões. Em relação aos outdoors, Paulo do Carmo defende que devem ser retirados “no máximo duas semanas a um mês” depois das eleições, lamentando que ainda persistam cartazes das eleições europeias nas ruas. Patrícia Tavares avança com uma proposta alternativa: brindes imateriais, como a disponibilização de bicicletas para os cidadãos experimentarem.

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