Há três grupos de extrema-direita a actuar em Portugal, alerta Europol

Relatório Anual de Segurança Interna deste ano, divulgado pela Europol, descreve a presença activa destes grupos em vários acontecimentos públicos.

Mário Machado é um dos membros da Nova Ordem Social, um dos três grupos de extrema-direita em Portugal descritos pela Europol
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Mário Machado é um dos membros da Nova Ordem Social, um dos três grupos de extrema-direita em Portugal descritos pela Europol Enric Vives-Rubio/arquivo

O relatório anual de 2019 da Europol sobre a situação e tendências do terrorismo na União Europeia alerta para a acção de três grupos de extrema-direita activos em Portugal, a nível nacional e internacional.

“Em Portugal, o Blood & Honour, o Portugal Hammer Skins e o recém-criado movimento neonazi Nova Ordem Social estão activos tanto a nível nacional como internacional”, lê-se no relatório deste ano da Europol, serviço europeu de polícia, referente a 2018.

São igualmente assinaladas as actividades na “cena musical” deste tipo de grupos em Portugal, que atraem apoiantes de vários Estados-membros e de outros países, e que já foi referido, em Março, no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2018.

Em termos europeus, a Europol classifica o terrorismo na Europa como uma ameaça à segurança dos Estados-membros, lembrando vários atentados, entre eles um atribuído à extrema-direita em Itália.

Em Março, o RASI de 2018 alertou que a tensão entre a extrema-direita e os grupos antifascistas “se agravou significativamente”, gerando “um clima potenciador da violência ideologicamente motivada”, “por responsabilidade de ambas as partes”, extremistas de direita e grupos antifascistas.

No capítulo dedicado às “ameaças globais à segurança”, o documento indica que os extremismos políticos não registaram “alterações significativas” em 2018 relativamente ao ano anterior, continuando a extrema-direita portuguesa “a revelar grande dinamismo na luta pela ‘reconquista’ da Europa, nomeadamente no que diz respeito ao combate à imigração ilegal, à [suposta] islamização, ao multiculturalismo e ao marxismo cultural”.

Segundo o RASI, o sector identitário e neofascista destacou-se novamente em 2018 através da organização de conferências, acções de propaganda, celebrações de datas simbólicas, acções de protesto, eventos musicais e sessões de treino de artes marciais, num “perfeito alinhamento com o modo de actuação dos seus congéneres europeus, com quem manteve contactos frequentes”.

A tendência skinhead neonazi esteve “menos activa”, mas manteve as suas actividades tradicionais, como concertos e reuniões, além de se associar pontualmente às iniciativas do movimento identitário e neofascista, indica o RASI, frisando que a extrema-direita registou “uma intensa difusão de propaganda em ambiente virtual, com o objectivo de criar condições favoráveis ao sucesso eleitoral de forças políticas nacionalistas ou populistas em 2019”.

No lado oposto, o documento sublinha que os anarquistas e autónomos mantiveram “a tendência antecedente, observando-se sobretudo actividades de propaganda e de doutrinação ideológica, frequentemente com a participação de militantes ou colectivos, alguns dos quais dos meios mais radicais e violentos do anarquismo insurreccional”.