“Salvem a democracia em Hong Kong”, pedem manifestantes aos países que vão estar no G20

Nova manifestação no território administrado pela China percorreu os consulados dos países que se vão reunir este fim-de-semana em Osaka, para tentar pressionar líderes mundiais a abordar o que dizem ser o cerco feito pelo regime de Pequim.

Manifestantes pedem apoio dos líderes mundiais contra o que dizem ser a "colonização chinesa"
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Manifestantes pedem apoio dos líderes mundiais contra o que dizem ser a "colonização chinesa" ANN WANG / Reuters
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Manifestantes lutam contra a lei que permite extradilção para a China JEROME FAVRE/EPA

Os activistas pró-democracia de Hong Kong querem aproveitar a reunião do G20 no Japão, no fim-de-semana, para intensificar a pressão sobre o governo local, que acusam de estar ao serviço de Pequim.

Mais de mil pessoas marcharam pelas avenidas do território na quarta-feira para percorrer os consulados dos países que vão estar presentes na reunião das vinte maiores potências económicas mundiais em Osaka, nos próximos dias. Segurando nas mãos cartazes com as frases “Libertem Hong Kong” ou “Libertem Hong Kong da colonização chinesa”, os manifestantes esperam que o assunto seja abordado pelos líderes mundiais junto do Presidente chinês, Xi Jinping.

A oposição à lei da extradição – que irá permitir que suspeitos sejam enviados para a China continental para serem julgados – criou a mais séria crise de legitimidade das autoridades locais em Hong Kong, desde que o território passou para a administração chinesa, em 1997. Nas últimas semanas, milhões de pessoas saíram às ruas em várias manifestações para pedir a retirada da lei e até a demissão da chefe do executivo local, Carrie Lam.

Os defensores da lei dizem que esta é vital para a segurança da metrópole, para que não se torne num “paraíso para criminosos internacionais”. Mas os críticos receiam que a medida permita que qualquer pessoa procurada pela China, como activistas ou jornalistas anti-regime, que esteja em Hong Kong possa ser extraditada para ser julgada num sistema injusto e arbitrário.

As autoridades locais suspenderam a discussão da lei na Assembleia Legislativa, mas os manifestantes querem a anulação total do processo. O próximo passo é tentar conseguir a atenção dos líderes mundiais para que pressionem o Governo chinês, que tem a última palavra sobre os destinos de Hong Kong.

Os organizadores dos protestos conseguiram juntar 6,7 milhões de dólares de Hong Kong (750 mil euros) em apenas 11 horas para financiarem uma campanha publicitária em jornais de grande tiragem, como o New York Times ou o Financial Times, em que deixam apelos à comunidade internacional, diz o South China Morning Post.

Para além do cancelamento da lei, os manifestantes exigem a libertação dos companheiros detidos durante os protestos e a abertura de um inquérito à actuação da polícia durante uma das manifestações. Entre os opositores da lei o sentimento é de enorme frustração em relação às autoridades locais. “O nosso governo local ignorou-nos, portanto não temos escolha se não pedir a ajuda da comunidade internacional”, disse ao Guardian um dos organizadores dos protestos, Ventus Lau.

A China já veio garantir que não pretende que a crise política em Hong Kong seja discutida durante o encontro do G20. “Não interessa em que ocasião, ou em que método usado, não iremos permitir que nenhum país ou pessoa interfira nos assuntos internos da China”, afirmou esta semana a responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhang Jun.

Os manifestantes esperam que os EUA possam usar ferramentas diplomáticas à sua disposição para pressionar Pequim, como o estatuto especial atribuído desde 1992 por Washington a Hong Kong, que determina que o território seja encarado como uma entidade distinta do resto da China para fins comerciais. Restrições a este quadro poderiam pôr em causa a economia local do território, avisam os especialistas.

Xi Jinping está interessado sobretudo em discutir formas para travar a guerra comercial travada entre a China e os Estados Unidos, através da aplicação de taxas aduaneiras a vários produtos. O líder chinês vai encontrar-se pessoalmente com o Presidente dos EUA, Donald Trump, em Osaka, pela primeira vez desde que as negociações comerciais entre os dois países foram interrompidas, em Maio.

Na semana passada, os dois líderes concordaram em falar pessoalmente à margem do G20 para relançar as negociações, mas os analistas não prevêem que do encontro saia algo mais do que o simples retomar das conversações.