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Justiça britânica emite mandado de detenção sobre Angela Gulbenkian

Corretora e coleccionadora de arte é acusada de desviar dinheiro de clientes para uso próprio. Gulbenkian explica que Angela não tem nenhuma relação com a fundação.

Calouste Gulbenkian
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O Tribunal de Magistrados de Westminster mandou esta quarta-feira emitir um mandado de detenção europeu em nome da corretora e coleccionadora de arte Angela Gulbenkian, que falhou apresentar-se para responder por duas acusações de furto. A magistrada Claire Harris, responsável por ouvir o caso, disse ter “preocupações substanciais” sobre um documento apresentado pelo advogado de defesa e recusou o pedido de adiamento, anuindo ao pedido do procurador público para emitir um mandado de detenção europeu.

“Se a defesa conseguir produzir alguma prova substancial, então pode vir a tribunal e pedir para o mandado ser reconsiderado”, acrescentou a magistrada, assistida por David Wootton.

O procurador público, Michael Mallon, questionou a veracidade de um documento apresentado pelo advogado de defesa, que justificava a ausência com o facto de continuar a recuperar de uma intervenção cirúrgica na Alemanha. “Tenho preocupações com a origem, não está timbrado, é curto, e é assinado por alguém não identificado. Não parece ser um documento do serviço nacional de saúde alemão”, vincou.

Michael Mallon referiu a existência de uma acção internacional de congelamento dos bens de Angela Gulbenkian, que foi descrita como uma “vigarista inveterada” que usou o dinheiro que recebeu de dois clientes para actuar como intermediária na compra de obras de arte para financiar um “estilo de vida luxuoso”.

A alemã, casada com Duarte Gulbenkian, um sobrinho-bisneto de Calouste Gulbenkian (1869-1955), terá recebido 1,375 milhões de dólares (1,2 milhões de euros) para comprar uma escultura gigante em forma de abóbora, da autoria da artista japonesa Yayoi Kusama. Porém, segundo a acusação, dias depois de receber o dinheiro na conta pessoal, começou a gastá-lo num estilo de vida luxuoso, arrendando apartamentos caros, pagando jactos privados, adquirindo obras de arte e fazendo compras em lojas de renome. Num segundo caso, terá recebido 50 mil libras (56 mil euros) para comprar obras de arte para outro cliente, mas também gastou o dinheiro em despesas pessoais.

A acusação alega que a alemã utilizou indevidamente o nome da instituição fundada pelo empresário arménio Calouste Gulbenkian para se autopromover como corretora e coleccionadora de arte.

Contactado pelo PÚBLICO, a fundação confirmou esta apropriação. “Angela Gulbenkian não tem nenhuma relação com a Fundação Gulbenkian e, tanto quanto sabemos, é casada com um membro da família Gulbenkian que não é descendente directo de Calouste Sarkis Gulbenkian”, informou o gabinete de comunicação.

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