Trotinetes eléctricas estão por toda a cidade de Lisboa, mas ainda são vistas como um “brinquedo”

Há nove operadoras de trotinetes eléctricas em Lisboa, num total de 16 empresas de transportes partilhados.

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Nuno Ferreira Santos

O objectivo é comum a todas as empresas de transporte alternativo: a promoção da mobilidade sustentável através dos sistemas de partilha de veículos. Lisboa tem já 16 empresas a actuar nesse sentido e há cada vez mais veículos disponíveis nas freguesias mais distantes do centro, uma resposta ao elevado fluxo de carros e às preocupações ambientais. E a adesão é crescente: são 20.000 as viagens diárias neste tipo de transportes. Mas ainda longe dos 350 mil carros que circulam pela cidade todos os dias.

Cátia Moura, subcomissária da Polícia de Segurança Pública (PSP) a que cabe a fiscalização sobre os condutores, as trotinetes ainda são vistas como “um brinquedo” e não são levadas a sério pelos utilizadores. Numa acção de promoção da mobilidade sustentável, promovida pela empresa de trotinetes eléctricas Bird, a subcomissária assinalou que foram contabilizados 30 acidentes com trotinetes eléctricas na cidade desde o início do ano.

A falta de estacionamento – que muitas vezes resulta no abandono destes veículos na via pública – tem também vindo a ser discutida e questionada. A fiscalização a este nível é da responsabilidade da Polícia Municipal de Lisboa, que articula com a PSP. Segundo Pedro Machado, assessor de Miguel Gaspar (vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa) há actualmente 600 lugares de estacionamento destinados a veículos como trotinetes e bicicletas, que constituem 2% da totalidade dos lugares de estacionamento da cidade. Prevê-se um aumento deste valor para 1500, segundo a câmara, sendo o objectivo fazer com que “em 2030 sejam feitas dois terços das viagens em transportes alternativos e sustentáveis”.

Pedro Machado sublinha também que “o único sistema capaz de acomodar centenas de milhares de pessoas” é a rede de transportes públicos mas o investimento no alargamento e requalificação da rede ciclável vem contribuir para uma maior procura dos transportes partilhados e, eventualmente, para uma redução da utilização dos veículos privados.

Freguesias fora do centro já abrangida

A freguesia dos Olivais é agora também coberta pela rede de trotinetes da BIRD, alargamento que Duarte Carreira vê com bons olhos, vogal de sustentabilidade da Junta de Freguesia dos Olivais. Segundo o autarca, “um dos grandes desafios da freguesia dos Olivais é a redução dos automóveis”, que vem no sentido do crescente fluxo de automóveis na zona – a frequente procura por visitantes não residentes deu origem a um problema agravado de falta de estacionamento.

A recente entrada da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) foi também uma das respostas em que apostaram, com vista à redução dos carros e aumento de estacionamento disponível “Sentíamos que nos estávamos a transformar num grande parque de estacionamento”, acrescenta.

Também a Junta de Freguesia de Marvila considera positiva a chegada dos transportes partilhados. João Santos, vogal desta junta, entende que a mobilidade se vai “alterar profundamente nas próximas décadas” e que também a freguesia que representa vai sofrer mutações nesse sentido.

O autarca está convicto que os investimentos ao nível da mobilidade vão crescer bastante na zona mas que, para incrementar o uso destes meios de transporte alternativos, “é preciso fazer-se um investimento nas instituições de ensino”.

Os veículos partilhados disponíveis variam entre trotinetes, bicicletas, carros e motociclos, que são disponibilizados por um total de 16 operadores. Segundo Pedro Machado, são já mais de 20.000 as viagens diárias neste tipo de transportes, face aos mais de 350 mil carros que circulam pela cidade todos os dias.

Texto editado por Ana Fernandes