César: “O Bloco de Esquerda não manda na Assembleia da República nem no país”

O líder parlamentar do Partido Socialista garante que não há recuo dos socialistas em relação ao fim das taxas moderadoras, como acusou o BE. César diz que não entra em “estilo de aventura” em que “tudo é fácil e barato”.

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Nuno Ferreira Santos

Há meses que o clima entre PS e BE anda tenso, quente. Apesar da alteração das temperaturas nestes primeiros dias de verão, os socialistas decidiram não fazer descer os graus no termómetro da relação entre os dois partidos. O protagonista foi Carlos César que respondeu a acusações do BE, que apontaram este fim de semana o dedo ao recuo dos socialistas no fim das taxas moderadoras: “O Bloco de Esquerda não manda na Assembleia da República nem no país”.

Os socialistas estão nestes primeiros dois dias da semana reunidos em Viseu para as jornadas parlamentares e, aos jornalistas, o presidente do PS e líder parlamentar não tirou o pé do acelerador nas críticas ao parceiro de Governo. “Se fôssemos sempre atrás do estilo de aventura e de que tudo é fácil, de que tudo é barato e que tudo pode ser feito e que o BE em especial, mas também alguns dos nossos parceiros, alimentam frequentemente, nós tínhamos um país com uma mão à frente, outra atrás de novo e voltávamos ao tempo da bancarrota”, disse Carlos César no final do encontro com a administração da empresa Avicasal, em São Pedro do Sul.

Para César, não há um recuo do PS no que toca ao fim do pagamento de taxas moderadoras. Acabar sim, mas de forma gradual. “O que foi aprovado foi uma legislação tendente a acabar com as taxas moderadoras e aquilo que o PS disse é que, sim senhor, por princípio, é um princípio aceitável, em nome da acessibilidade das pessoas ao sistema de saúde, mas que tem de ser feito com gradualidade. Isso foi dito explicitamente no debate”, insistiu. No debate e aprovação na generalidade do fim das taxas moderadoras nos centros de saúde, dia 14, a deputada do PS Jamila Madeira tinha dito: “Na especialidade, podemos ter nuances em como implementar [o fim das taxas moderadoras] mas convergimos no essencial”.

Em causa está o facto de o BE ter acusado os socialistas de voltarem atrás ao não aprovarem o fim imediato das taxas moderadoras nos centros de saúde, mas tendo proposto um faseamento para o seu fim. Depois de uma notícia do Expresso a dar conta da posição do PS, Catarina Martins disse: “O Partido Socialista aparece surpreendente porque recua em relação ao que já tinha sido acertado, dando agora outro argumento, de que as taxas moderadoras são muito necessárias para financiar o SNS”, disse.

O argumento dos socialistas é que deve haver faseamento: “Agora nas comissões verificamos que intensidade no tempo deve ser dada a essa medida”, explicou Carlos César.

Os assuntos de saúde entraram por estas jornadas e César quis explicar que não há negociações com o PSD sobre a lei de bases da saúde. “Não estamos numa negociação com o PSD. Nós estamos, como eu sempre disse, numa negociação aberta com todos os partidos”. Sobre a conversa com os sociais-democratas, o líder parlamentar diz que “o PSD mostrou intenção de recolocar algumas questões em relação à lei de bases da saúde”.

Contudo, apesar desses encontros, o socialista dá o toque aos parceiros dizendo que “todos os partidos têm bases e propostas aprovadas que constam do texto actual” e que, por isso, “existem boas condições para quer o PSD, quer o PCP, quer o PEV, quer o BE votarem favoravelmente”, à proposta. Ainda com fim imprevisível, o líder parlamentar socialista vai ensaiando o discurso para o caso de haver uma aprovação que não seja feita com os parceiros: “A coerência não é com quem é que nós aprovamos, é o que é que nós aprovamos. E é nisso que estamos empenhados”, disse.