O cinema montou casa em Serralves

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu, esta segunda-feira, à inauguração da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, no Porto. Foi uma cerimónia muito participada, que proporcionou encontros mais ou menos emotivos com a memória do realizador de Aniki-Bóbó.

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Luis Miguel Cintra na Casa do Cinema Adriano Miranda
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Uma sombra, uma árvore, a planta de uma casa, a voz e as imagens em movimento de Manoel de Oliveira... Abre assim o percurso da nova Casa do Cinema Manoel de Oliveira (CCMO), que ao final da tarde desta segunda-feira, dia de S. João, foi inaugurada em Serralves, no Porto, com a presença do Presidente da República.

Dirigido pelo professor, crítico e ensaísta António Preto, o novo equipamento, projectado por Álvaro Siza sobre a velha garagem do Conde de Vizela, abre com uma exposição temporária dedicada ao tema A casa no Cinema de Manoel de Oliveira, e a mostra de uma primeira selecção dos arquivos – projectos, guiões, fotografias de rodagem e outras, artigos de jornais e revistas, prémios e diplomas –, nas outras salas do novo equipamento.

A inauguração, agendada por Serralves para o festivo feriado da cidade do Porto, veio concluir o longo e atribulado processo de instalação dos arquivos do realizador de Aniki-Bóbó na sua terra natal, como ele sempre desejou. Disso falou, na sequência dos discursos, o seu filho e representante Manuel Casimiro, que começou por citar Santo Agostinho para lembrar que “os mortos não estão ausentes”, apenas “invisíveis”. E lembrou – sem nunca citar o nome –​ as dificuldades vividas pelo pai nos mandatos de Rui Rio à frente da autarquia, o que levaria Oliveira a trocar a casa que foi projectada por Eduardo Souto de Moura e chegou mesmo a ser construída com o objectivo de ser a sua morada e local de trabalho pelo depósito do seu acervo em Serralves.

Na parte não escrita do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa deitou água nesta fervura, realçando que “as dificuldades são menos importantes do que o objecto celebrado”. E no momento tratava-se de celebrar e expressar gratidão à família do realizador, a Serralves, que decidiu acolher a casa, e uma “gratidão suprema a Manoel de Oliveira”, que o Presidente lembrou ser “o nosso maior e mais reconhecido cineasta”, defensor “do tempo e da lentidão”, lembrando a longevidade da sua vida e da sua obra.

Antes, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, prestara também já homenagem ao “génio” de Oliveira, e manifestou a expectativa de que a nova “casa de memórias” seja também “um espaço de partilha e reflexão”.

Na sua intervenção, a presidente da administração de Serralves, Ana Pinho, fez o historial do processo de instalação da CCMO na fundação, lançada na sequência da exposição que, em 2008, aí celebrou o centenário do realizador. E aproveitou a presença da ministra da Cultura para reivindicar a continuação do apoio do Estado à actividade futura da casa.

Antes e em diferentes momentos da cerimónia, pôde ouvir-se a voz de Manoel de Oliveira, essa figura que, como escreveu Agustina Bessa-Luís evocando o seu encontro com o cineasta na tertúlia de José Régio na Póvoa de Varzim de meados do século XX – aqui citada pela sua neta Lourença Baldaque –, lhe apareceu como “um homem belo e ligeiro” na sua impecável gabardina feita no melhor alfaiate do Porto.

Evocações e memórias que foram seguidas por muitas centenas de pessoas, muitos convidados da política, do mundo empresarial, das artes e do cinema, entre estes últimos vários antigos colaboradores do realizador de Vale Abraão, como Luis Miguel Cintra ou Teresa Menezes (Francisca). Mas com algumas lacunas também notadas, como a de Paulo Branco, que foi produtor de Oliveira numa parte substancial da sua carreira, e cuja ausência, ao que o PÚBLICO apurou mas não conseguiu confirmar junto de Serralves, terá resultado de uma decisão que partiu da família do realizador.