Mascarado, mas nem por isso anónimo

Foi sempre assim a relação de Bob Dylan com o cinema – nos filmes que fez em nome próprio e nos filmes em que entrou ou “infectou” com a sua presença. Pequenos labirintos em que ele segue, de máscara no rosto e baralhando o rasto da sua passagem.

,Para sempre jovem
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The Last Waltz (1978): o último concerto da The Band, que tinha Dylan em palco para a girândola final, veio a ser pai ou mãe dos documentários musicais

Assentada a poeira, o mundo foi descobrindo, com as opiniões a dividirem-se sobre o que pensar, que Rolling Thunder Revue – a Bob Dylan Story by Martin Scorsese não é completamente de fiar, que brinca ao jogo do gato e do rato com a verdade factual, que contém elementos de mascarada, como um pequeno teatro (um kabuki de equívocos?) posto em cena por uma dupla de pranksters, Scorsese e Dylan – que, obviamente, é preciso promover ao estatuto de co-autor da brincadeira, não se imagina que ele seja apenas um peão no jogo de Scorsese (além de que, e já lá iremos, há precedentes: Rolling Thunder Revue encaixa que nem uma luva na história da relação entre Bob Dylan e o cinema). A acção, de resto, passa-se no mesmo ano do primeiro encontro cinematográfico entre os dois: 1976, ano em que Scorsese filmou o último concerto da The Band, que tinha Dylan em palco para a girândola final, no que veio a ser The Last Waltz, estreado em 1978, pai ou mãe dos documentários musicais que nos últimos anos se tornaram parte importante do trabalho do cineasta.