Johnson aumenta apoios e candidato “sensação” eliminado da corrida ao cargo de May

Boris Johnson venceu terceira votação do Partido Conservador e aumentou o número de apoios entre os deputados. Rory Stewart ficou-se pelas boas prestações nos debates e deixou a eleição reduzida a quatro nomes.

Stewart (à direita) ficou em último lugar na eleição do Partido Conservador
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Stewart (à direita) ficou em último lugar na eleição do Partido Conservador EPA/JEFF OVERS / BBC NEWS HANDOUT

Três votações, três vitórias folgadas e a confiança plena de que pode canalizar energias para a derradeira fase do processo de escolha do próximo líder do Partido Conservador e primeiro-ministro do Reino Unido, aberta a todos os militantes. É este o balanço da participação de Boris Johnson na eleição entre deputados tories, que teve esta quarta-feira o seu terceiro capítulo.

Os deputados voltaram a votar massivamente no antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, que obteve 143 apoios em 313 e que soma, assim, tantos triunfos como votações. Rory Stewart foi eliminado e a contenda prossegue na quinta-feira com quatro candidatos.

Se a vitória confortável de Johnson já era encarada como uma mera formalidade – recebeu o apoio público da grande maioria dos candidatos que foram sendo eliminados – a saída de cena de Stewart acabou por ser o grande destaque da terceira votação.

O ministro do Desenvolvimento Internacional tinha começado a corrida a dez como um outsider e a sua passagem à segunda volta foi encarada como um autêntico milagre. Conseguiu, no entanto, entusiasmar a ala mais moderada do partido e da opinião pública nos últimos dias, fruto de bons desempenhos nos comícios e debates televisivos.

E também por ter sido praticamente o único candidato tory a assumir-se como opositor assumido a Boris Johnson e a algumas das suas ideias mais disruptivas, na missão de retirar o Reino Unido da União Europeia “custe o que custar” – como forçar o no-deal. Acabou por ficar pelo caminho, com apenas 27 votos, menos dez que na votação de terça-feira.

“Estou tão comovido e inspirado pelo apoio que recebi nas últimas semanas, deu-me uma nova fé na política e uma nova esperança no nosso país. Hoje não consegui convencer deputados suficientes a acreditarem comigo. Mas hão-de acreditar”, reagiu Stewart no Twitter. “Continuo profundamente comprometido convosco e com este país”.

Os ministros Jeremy Hunt (Negócios Estrangeiros), Michael Gove (Ambiente) e Sajid Javid (Interior) mantêm-se, então, na corrida, mesmo que todos eles tenham ficado a “anos-luz” dos números de Johnson. O primeiro teve 54 votos, o segundo 51 e o terceiro 38.

A maratona de votações para encontrar o sucessor de Theresa May – que se demitiu no final de Maio, falhada a missão de desbloquear e cumprir o “Brexit” – prossegue na quinta-feira, que é também apontada como a data final para se encontrarem os dois tories que, nas três semanas seguintes, irão tentar convencer os cerca de 160 mil militantes do Partido Conservador a endereçar-lhes o seu voto. 

Os responsáveis do grupo parlamentar conservador – o Comité 1922 –, que definiram as regras da competição, prevêem anunciar o nome do próximo líder do Governo do Reino Unido na semana que se inicia a 22 de Julho.

SNP vê em Johnson um “racista”

Com os holofotes da política britânica naturalmente fixados na votação dos conservadores, o momento alto da sessão de perguntas à primeira-ministra, na manhã desta quarta-feira no Parlamento britânico, acabou por ter como protagonista o favorito ao cargo de May

Johnson nem sequer estava presente, mas foi rotulado de “racista” por Ian Blackford, líder parlamentar do Partido Nacional Escocês (SNP), na hora de criticar o Governo por considerar aquele “apto para ser primeiro-ministro”.

“O deputado [Johnson] comparou mulheres muçulmanas a caixas de correio, descreveu pessoa africanas como tendo sorrisos de melancia e disse outras calúnias repugnantes que eu nunca irei reproduzir. Se isto não é ser racista, Mr. Speaker, então não sei o que é”, atirou Blackford, por entre gritos de indignação de deputados conservadores, depois de John Bercowspeaker e moderador dos trabalhos na Câmara dos Comuns, lhe ter exigido que se retractasse.