Opinião

Cartas ao director

A política florestal

Ameaçar os proprietários com coimas, aumentos do IMI ou sugerir aos de menor rendimento que vendam as suas terras é uma política florestal errada. Muita gente não limpa os terrenos, não porque não o queira fazer, mas sim porque tem dificuldade nisso. Como tenho defendido em diversos fóruns, a constituição de equipas concelhias de limpeza das matas seria uma boa ajuda para a política da protecção dos fogos. Tais equipas seriam financiadas por fundos transferidos do combate para a prevenção, contariam com o cofinanciamento dos proprietários dos terrenos e actuariam nas zonas de maior risco.

Como há falta de mão-de-obra no interior do país, pode recorrer-se à imigração, a qual teria, pelo menos, três vantagens: colaboraria na limpeza anual dos terrenos; ajudaria a povoar o interior, o qual perdeu cerca de 30 % da população, de 1960 para 2011, enquanto a população residente portuguesa aumentou à volta de 21%; permitiria uma melhoria da taxa de fertilidade, o que constituiria um factor de rejuvenescimento de uma população envelhecida.

Carlos Garrido, Almada

João Miguel Tavares e o que devia ser

João Miguel Tavares gosta de se arvorar como jornalista independente. No seu artigo de 5-3-2019, entre várias considerações faz estas afirmações: “Não, António Costa não irá beneficiar com essas greves, de modo nenhum. O seu número tenderá a aumentar à medida que as eleições se aproximam, e não há forma de isso não se transformar num desgaste para o Governo, na medida em que as greves são um confronto evidente com as suas próprias mentiras. No final do ano passado escrevi um texto chamado ‘Uma legislatura longa demais’, e esse é o sentimento que continuo a ter: Costa vai ganhar as legislativas, mas com um resultado bem pior do que imagina.”

Daqui só posso concluir que não escreve sobre o que pensa, não escreve sobre o que entende da política portuguesa, mas escreve sim, sobre o que gostava que viesse a acontecer. Face ao resultado das eleições pode concluir-se que não se enganou. Não aconteceu foi aquilo que queria.

Rafael Leite, Espinho

O discurso de JMT

Tenho lido e ouvido muitos comentários sobre o que disse João Miguel Tavares nas comemorações do 10 de Junho. No essencial centram-se nas afirmações polémicas que proferiu, criticadas pela esquerda e elogiadas pela direita. No sábado, 15 de Junho, veio explicar o sentido de algumas palavras e expressões que utilizou. Este facto é o ponto principal da crítica que entendo fazer: a necessidade de se justificar significa a falta de clareza que deveria caracterizar um discurso tão importante numa data como é o Dia de Portugal. É desnecessário citar as diversas ambiguidades nele contidas, porque o próprio João Miguel Tavares já as referiu. E não vai ser necessário esperar muito para verificar que os programas eleitorais dos partidos vão traçar rumos diferentes e prioridades divergentes. É assim em democracia...<_o3a_p>

Luís Filipe Barroso, Lisboa<_o3a_p>