Michel Platini detido por suspeitas de corrupção no Mundial de 2022 no Qatar

Notícia é avançada pelo jornal francês Mediapart

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Gonzalo Fuentes / Reuters

Michel Platini, o antigo presidente da UEFA, foi detido esta terça-feira de manhã por suspeitas de corrupção relacionadas com a escolha do Qatar para o Mundial de 2022. A notícia é avançada pelo jornal online francês Mediapart, que precisa que o antigo capitão da selecção francesa de futebol se encontra sob custódia das autoridades no Departamento Central de Luta contra a Corrupção e as Infracções Financeiras e Fiscais da Polícia Judiciária francesa, em Nanterre, na área metropolitana de Paris. 

Contactada pelo PÚBLICO, a polícia francesa recusou confirmar ou desmentir a informação. Remeteu informações para o Ministério Público — Parquet National Financier — que ainda não respondeu. Entretanto, contudo, fontes judiciárias francesas confirmaram ao PÚBLICO a detenção de Platini. 

O jornal Le Monde também diz ter confirmado a detenção de Platini e de uma antiga conselheira do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. Os dois jornais franceses adiantam que um ex-secretário-geral do Eliseu​ é igualmente suspeito neste inquérito. 

Em 2016, o Ministério Público francês abriu uma investigação preliminar para investigar eventuais crimes de corrupção privada, conspiração criminosa, tráfico de influência e troca de influência em torno dos vencedores do sorteio nos Emirados Árabes Unidos. Platini, que admitiu ter votado no Qatar em 2 de Dezembro de 2010, já tinha sido ouvido neste inquérito como testemunha em Dezembro de 2017.

Os procuradores estão particularmente interessados num almoço realizado a 23 de Novembro de 2010 no Eliseu, na presença de Nicolas Sarkozy, Michel Platini, o actual Emir do Qatar, Tamim bin  Hamad al-Thani, e o Xeque Hamad Ben Jassem, então primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do emirado. Segundo o Le Monde, que diz ter tido acesso aos arquivos do Eliseu, tanto a antiga conselheira de Sarkozy como o ex-secretário-geral estiveram presentes no encontro. 

Michel Platini, que foi presidente da UEFA entre 2007 e 2016, demitiu-se da presidência depois de ter sido condenado pelas instâncias disciplinares da FIFA por abuso de confiança, conflito de interesses e gestão danosa no caso do pagamento de 1,8 milhões de euros pelo ex-presidente da FIFA mundial, Joseph Blatter.

O antigo líder da UEFA tinha sido inicialmente condenado a oito anos de suspensão pela Comissão de Ética da FIFA, a 21 de Dezembro de 2015, mas a pena foi depois reduzida para seis anos pela Comissão de Recurso. A suspensão foi novamente reduzida a quatro anos pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), a instância superior no desporto.