Pedro Duarte apresenta “causas” para a próxima década e recebe abraço de Montenegro

Promotor do movimento “cívico” explicou que o mote é olhar para a frente como se fosse o “ten year challenge” mas virado para o futuro: “O primeiro passo é entendermo-nos onde estar daqui a dez anos”.

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Pedro Duarte Nuno Ferreira Santos
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Apresentação do Manifesto X Nuno Ferreira Santos
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O abraço de Luís Montenegro Nuno Ferreira Santos

Pedro Duarte, que já foi desafiador da liderança de Rui Rio, apresentou o Manifesto X, um “contributo cívico” para políticas dos próximos dez anos, e recebeu um abraço de Luís Montenegro, outro desafiador do actual líder. As leituras sobre o aparecimento do ex-líder da bancada como convidado-surpresa na apresentação do movimento poderiam ser várias, mas Pedro Duarte quer reduzi-las a um “abraço de um amigo” e acentuar a ideia de que o momento no PSD é de “unidade”.

No final da apresentação do movimento, um momento informal no topo de um restaurante-bar em Lisboa com vista para o Tejo, Pedro Duarte não quis retirar conclusões da (breve) presença de Luís Montenegro. “Sou amigo há muitos anos, fomos colegas de curso e colegas no Parlamento”, disse o ex-director de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa.

No futuro, os dois sociais-democratas podem ser adversários numa disputa de liderança no PSD? “Isso é muito especulativo, esse cenário não se coloca”, disse o ex-deputado, esforçando-se por sublinhar que o PSD “está numa fase de unidade”. Pedro Duarte assumiu mesmo que neste momento “não há condições” para ser “consequente” com o que pudesse dizer neste dia. Para trás ficou o desafio à liderança de Rui Rio que fez no Verão passado que disse ter sido no “timing adequado”. Agora, o tempo no PSD é de paz até às legislativas.

Contributo: 10 metas e 100 medidas

Pedro Duarte, que actualmente é alto quadro da Microsoft, define o movimento que criou como um “contributo cívico para o país”, lembrando que é formado por independentes e que não têm actividade política regular. A apresentação do Manifesto X era espelho disso mesmo: à excepção de Luís Montenegro, não vieram figuras fortes do PSD.

O contributo – que para já lançou 10 metas e 100 medidas – poderá ser assumido como seu se vier a ter responsabilidades no PSD. Sair do partido como fez Pedro Santana Lopes está fora de causa: “Sou militante do PSD e não vejo razões para desistir”. E deixou uma mensagem em tom de esperança: “Acredito que o PSD volte a ser a força motora de desenvolvimento do país que já foi no passado”.

No momento em que outra figura do PSD que promove há anos um think tank sobre desenvolvimento — Jorge Moreira da Silva — regressa ao espaço político para ganhar terreno, Pedro Duarte faz sair as suas “causas”. São “dez metas para dez anos” e cada uma inclui medidas concretas, que não foram apresentadas nesta sessão: 1) sustentar as políticas públicas na felicidade e bem-estar; 2) valorizar o ambiente; 3) dar prioridade à ética e confiança nas instituições públicas; 4) enfrentar a pobreza; 5) combater as desigualdades; 6) garantir cuidados de saúde; 7) qualificar com cultura e educação; 8) contrariar a tendência demográfica; 9) crescer pela digitalização e produtividade; e 10) controlar a dívida pública. 

Na apresentação, o ex-deputado do PSD defendeu que ser “necessário uma nova geração de políticas públicas, um novo modelo de estado social, sustentável e eficaz”. O mote é olhar para a frente como se fosse o “ten year challenge” mas virado para o futuro: “O primeiro passo é entendermo-nos onde estar daqui a dez anos”.

O gestor lembrou como o mundo mudou nos últimos dez anos e como deverá acelerar na próxima década. “Setenta por cento dos empregos vão tornar-se obsoletos, 40% das maiores empresas do mundo vão desaparecer. É de uma ingenuidade pensar que tudo vai mudar, mas que o sistema e que as políticas públicas se vão manter”, afirmou, falando de pé junto a uma mesa de bar. Luís Montenegro foi aplaudindo.

O ex-deputado e líder parlamentar, que tem estado em silêncio desde que em Janeiro deste ano contestou Rio e perdeu em conselho nacional, apareceu quando a sessão já tinha começado, deu um abraço a Pedro Duarte e saiu, evitando os jornalistas.