Cresce a vaga para um museu da resistência no Porto

Na Assembleia da República, na Assembleia municipal e, agora, numa carta aberta, várias vozes erguem-se para fazer da antiga sede da Pide no Porto um lugar de memória do anti-fascismo.

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Antiga sede da PIDE no Porto, na Rua do Heroísmo Paulo Pimenta

Meia centena de personalidades subscreveram uma carta aberta em defesa da transformação do actual Museu Militar do Porto – instalado na antiga sede da PIDE na cidade – no Museu da Resistência e Liberdade do Porto. A iniciativa do deputado do BE Luís Monteiro e de um antigo deputado municipal do mesmo partido e ex-preso político, José Castro, segue-se a outros esforços para avançar com o projecto.

“Na comemoração dos 45 anos da Revolução do 25 de Abril, no mesmo momento em que se comemora a inauguração do Museu da Resistência e Liberdade no Forte de Peniche e que já existe o Museu instalado nas antigas instalações do Aljube, em Lisboa, é um imperativo preservar também a memória colectiva da luta contra o fascismo na cidade do Porto e em toda a região norte do país, e assim promover a transformação da ex-sede da PIDE no Porto em museu da resistência”, insistem os promotores da carta.

José Castro e Luís Monteiro são respaldados por nomes como os dos arquitectos Siza Vieira e Souto de Moura, historiadores como Fernando Rosas, Manuel Loff, Joel Cleto ou Maria Alice Samaras. Na cultura surgem personalidades como Sérgio Godinho, José Mário Branco e Capicua, entre outros. Presos políticos como o arqueólogo Cláudio Torres (que esteve detido no edifício da Rua do Heroísmo), Maria Rodrigues, ou Jorge Carvalho (Pisco) o último português preso, por motivos políticos, naquelas instalações, associam-se ao apelo.

Esta iniciativa é divulgada pouco dias depois da aprovação, na Assembleia Municipal do Porto, de uma recomendação da CDU no mesmo sentido, e numa altura em que dois projectos em defesa desta mesma ideia, um do Bloco, outro do PCP, estão a ser trabalhados no âmbito da Comissão Parlamentar de Cultura, na Assembleia da República. A proposta comunista no Porto recolheu os votos favoráveis do PS, do Bloco, do PAN e de um membro do grupo de Rui Moreira, num total de vinte, e contou com 26 abstenções, vinte dos apoiantes de Rui Moreira e seis do PSD.