Morreu Gloria Vanderbilt, ícone do jet set americano

A notícia foi confirmada pelo filho, o jornalista da CNN Anderson Cooper. Nascida numa das famílias mais ricas dos Estados Unidos, era uma figura do jet-set norte-americano e teve sucesso na década de 1970 com a sua marca de calças de ganga.

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REUTERS/Mario Anzuoni

Gloria Vanderbilt, herdeira de uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos, morreu esta segunda-feira aos 95 anos. A notícia foi confirmada pelo filho da socialite, o jornalista norte-americano Anderson Cooper.

Entre os romances com estrelas de Hollywood, como Frank Sinatra e Marlon Brando, e a mediática luta em tribunal pela sua custódia, entre a mãe e a tia, Vanderbilt tornou-se uma figura conhecida no jet-set de Nova Iorque. Era frequentemente apelidada pela imprensa de “poor little rich girl” (pobre menina rica).

Construiu também um nome no mundo da moda, com uma marca epónima de calças de ganga se tornaram um êxito na década de 1970. Distinguiam-se pelo logótipo em forma de cisne. Expandiu a marca para perfumes, sapatos, marroquinaria e acessórios, antes de a vender, em 1978. Chegou a criar uma segunda marca de moda. Em 

Vanderbilt nasceu no seio de uma família rica, em Nova Iorque. Era neta do magnata Cornelius Vanderbilt, que fez a sua fortuna na construção de caminhos-de-ferro e na marinha mercante. Escreveu que, quando era criança, chegou a considerar tornar-se freira. Em vez disso, viveu uma vida cujas histórias dariam material para dezenas de telenovelas, romances, musicais e filmes. 

O seu pai morreu antes de ela fazer dois anos e Vanderbilt passou muitos anos a viver na Europa com a mãe, Reginald Claypoole Vanderbilt, a partir de um fundo gestor da herança de 2,5 milhões de dólares (cerca de 2,23 milhões de euros) — que hoje seria o equivalente a 33 milhões (cerca de 29,37 milhões de euros). A tia, Gertrude Vanderbilt Whitney  — que fundou o Whitney Museum of American Art — acusou a mãe de Gloria de fazer um uso indevido do fundo e levou a questão a tribunal. Ganhou a custódia da sobrinha, num caso de tribunal que fez sensação na comunicação social e que acabaria por chegar ao Supremo Tribunal de Justiça.

Vanderbilt afirmou que ter sido retirada da guarda da mãe fez com que passasse a vida numa busca constante de amor e aprovação. Com apenas 17 anos, casou-se com o agene de Hollywood Pat DiCicco, que acabou por divorciar. Aos 21 anos, voltou a casar, desta vez com o maestro Leopold Stokowski, na altura com 63 anos.

Tiveram dois filhos e divorciaram-se em 1955. Por essa altura, Vanderbilt  foi vista a passear por Nova Iorque com o cantor Frank Sinatra. Durante o processo de divórcio, Stokowski alegou que Vanderbilt não estava apta para ser mãe e que passava demasiado tempo em sessões de psicoterapia.

Vanderbilt casaria uma terceira vez, desta feita com o realizador Sidney Lumet (conhecido por Doze Homens em Fúria), entre 1956 e 1963. E uma quarta vez, então com o escritor Wyatt Cooper, casamento que duraria até morte deste, em 1978. Com o último marido teve mais dois filhos, Carter e Anderson Cooper — sendo que o primeiro morreu aos 23 anos. Num livro de memórias descreveu a perda do filho como “a perda final, a perda fatal” que a despojou, afirmando que que chegou a pensar que não conseguiria sobreviver.

Chegou a fazer alguns trabalhos como actriz e modelo e também experimentou a pintura e poesia. Num dos seus livros de memórias escreveu sobre os vários casamentos, bem como sobre os romances que teve com figuras como Sinatra, Marlon Brando, Gene Kelly e Howard Hughes. Em 2009, aos 85 anos, publicou uma novela erótica, Obsession.

“Abracei tudo — a dor e o prazer, o drama e as desilusões”, escreveu Vanderbilt em It Seemed Important at the Time