Pedrógão mudou as estatísticas sobre área ardida

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas ainda não disponibilizou na sua página da Internet os relatórios com dados definitivos sobre incêndios relativos aos anos de 2017 e 2018.

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O primeiro semestre de 2017 é aquele que tem mais área ardida da década 2008-2018, por causa dos incêndios de Pedrógão Grande Adriano Miranda

Os dados provisórios para este ano do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que abrangem o período entre 1 de Janeiro e 14 de Junho, indicam que houve já 4433 incêndios rurais que consumiram 8439 hectares de território. Ou seja, a área ardida este ano já é superior à registada no ano passado entre 1 de Janeiro e 1 de Julho, período analisado no último relatório disponível do ICNF.

Se olharmos para a última década, percebe-se que os grandes incêndios de Pedrógão Grande afectaram grandemente as estatísticas do fogo, catapultando o período de 1 de Janeiro a 1 de Julho de 2017 para o topo da lista dos primeiros semestres com mais área ardida na última década. Segundo o ICNF, nesse período arderam 73.035 hectares.

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O número ainda se destaca mais quando comparado com a área ardida no mesmo semestre do ano imediatamente anterior (1969 hectares em 2016) e daquele que se seguiu (5133 hectares em 2018). Uma análise mais fina, mês a mês, também permite perceber como os incêndios de Junho de 2017 alteraram o que era a média de área ardida habitual para este mês. Entre 2006 e 2015, o valor médio era 2020 hectares. Quando se avalia o período entre 2008 e 2017, a média para Junho salta para 6935 hectares. No ano passado, a área ardida neste mês não ultrapassou os 253 hectares, aparecendo Fevereiro como o mês do semestre com mais território afectado pelas chamas: 1971 hectares.

O ICNF não tem disponível na sua página da Internet os relatórios com dados definitivos sobre os incêndios relativos aos anos de 2018 e 2017. Para este ano, o último relatório visível compreende o período entre 1 de Janeiro e 31 de Outubro e aponta para 442.418 hectares de área ardida de espaços florestais. Por comparação, a estimativa da EFFIS - European Forest Fire Information System, que apenas contabiliza fogos que atinjam 25 hectares ou mais (pelo que costuma apontar sempre para um número de incêndios e área ardida inferiores aos reais) indica que em Portugal, ao longo de todo o ano de 2017, arderam 563.667 hectares.

Os dados provisórios do ICNF relativos a 2018 (1 de Janeiro a 15 de Setembro) dão conta de um total de área ardida a chegar aos 38.223 hectares. O PÚBLICO pediu dados mais actualizados ao instituto mas não obteve resposta em tempo útil.

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