Quem podem ser os sucessores de Assunção Cristas?

Há cinco nomes “presidenciáveis” no CDS-PP: Francisco Rodrigues dos Santos, Filipe Lobo d’Ávila, João Almeida, Mota Soares e Nuno Magalhães

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Assunção Cristas Adriano Miranda
Nuno Melo
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Nuno Melo LUSA/HUGO DELGADO
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Nuno Magalhães Nuno Ferreira Santos
,CDS - Partido Popular
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Pedro Mota Soares LUSA/JOSE SENA GOULAO
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Filipe Lobo D'Ávila Rui Gaudencio
,CDS - Partido Popular
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João Almeida Adriano Miranda
Telmo Correia
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Francisco Rodrigues dos Santos Adriano Miranda
Marc Márquez
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Adolfo Mesquita Nunes Adriano Miranda

Com esperança de recuperar ainda alguns pontos nas próximas eleições, o CDS-PP já está a olhar para o pós-legislativas. Se repetir um mau resultado – e as expectativas já estão a baixar face ao previsto há alguns meses – a liderança de Assunção Cristas pode ficar em causa. E a pergunta coloca-se: quem pode suceder à actual líder? Há vários nomes fortes que podem ser candidatos, embora ainda ninguém queira assumir essa posição.

Entre os nomes que se podem colocar na galeria dos candidatos estão Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular; Filipe Lobo d’Ávila, conselheiro nacional crítico de Assunção Cristas; João Almeida, porta-voz do CDS-PP; Pedro Mota Soares, deputado e ex-ministro do anterior Governo; e Nuno Magalhães, líder parlamentar.

Francisco, a voz da direita

Francisco Rodrigues dos Santos, 30 anos, é conotado com uma ala mais conservadora do partido. Tem, por isso, os apoios de alguns críticos que gostariam de ver a liderar o CDS uma voz mais à direita, com uma marca ideológica mais forte, em contraste com a liderança de Assunção Cristas que optou por se posicionar mais ao centro, na tentativa de conquistar eleitorado noutros campos políticos. Francisco Rodrigues dos Santos tem outro ponto a seu favor: deverá ser eleito deputado (é o segundo nome pelo Porto), facto que não é indiferente numa candidatura à liderança. Os centristas não esquecem a experiência da liderança de Ribeiro e Castro (2005-2007), que nessa altura era eurodeputado e não estava na Assembleia da República.

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Pedro, só falta ser líder

Outra das figuras que é “presidenciável” no CDS já foi quase tudo no partido – menos líder: foi líder da Juventude Popular, secretário-geral, líder parlamentar, vice-presidente, e ministro no anterior Governo. Pedro Mota Soares era o número dois da lista para as europeias, mas não foi eleito. Como antes das eleições para o Parlamento Europeu, Assunção Cristas fechou as listas de deputados à Assembleia da República, indicando os nomes da quota da direcção nacional, Mota Soares ficou excluído. O ainda deputado já não se sentará na bancada parlamentar em Outubro, mas o seu gesto recente de anunciar uma declaração de voto em que acusava o partido de ser incoerente na proposta do salário para os juízes gerou interpretações sobre a sua ambição no partido.

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João, o bom tribuno

Visto como alternativa a Mota Soares – no partido ninguém acredita que um seja adversário do outro numa disputa de liderança – João Almeida é outro nome a ter em conta. O antigo secretário-geral, o actual porta-voz do CDS já foi candidato à liderança em 2006 (quando liderava a Juventude Popular) contra Ribeiro e Castro, mas perdeu. Na sucessão a Paulo Portas, no final de 2015, João Almeida pôs-se fora da corrida, mas agora não está excluído. É elogiado por ser um bom tribuno no Parlamento, lugar que deverá manter, já que é cabeça de lista por Aveiro.

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Nuno, a surpresa

Sem nunca ter assumido publicamente vontade em avançar para a liderança, Nuno Magalhães pode ser uma surpresa, mas não é um nome descartável no futuro do partido. Foi leal a Paulo Portas mas também a Assunção Cristas. O antigo secretário de Estado da Administração Interna (2002-2004) já tinha anunciado que esta sessão legislativa seria a última como líder da bancada, depois de oito anos no cargo. É visto como um político de bom senso e promotor de equilíbrios. E isso pode ajudar a explicar a longevidade que teve na função parlamentar.

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Filipe, a escolha dos críticos

Com uma matriz democrata-cristã vincada e assumindo-se como “direita moderada”, o grupo de conselheiros nacionais críticos da actual liderança pode vir a apresentar o seu candidato. Será Filipe Lobo D’Ávila, antigo secretário de Estado da Administração Interna, e o número um da lista ao conselho nacional que obteve 23,8% dos votos no congresso de 2018. Foi nessa altura que Lobo d’Ávila renunciou ao mandato de deputado para se dedicar totalmente à sua profissão de advogado e assumiu as divergências com a actual direcção de Cristas. Mas não é certo que Filipe Lobo d’Ávila seja candidato. O grupo mantém em aberto a hipótese de apoiar outra candidatura que considere mobilizadora para o partido.

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Adolfo, Nuno e Manuel, outras escolhas

Outras figuras tornaram-se incontornáveis no CDS nos últimos anos mas por várias razões surgem com menos força nos cenários após as legislativas: Nuno Melo foi agora eleito para o Parlamento Europeu e está a ser responsabilizado pelos maus resultados das europeias e Adolfo Mesquita Nunes saiu de vice-presidente para ocupar cargo na Galp. No partido, há ainda quem veja como possível o regresso de Manuel Monteiro para a liderança. Outros vislumbram apenas que possa ser uma voz influente e dar apoio a um dos futuros candidatos.

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Depois da pesada derrota das europeias, a liderança de Assunção Cristas pode não ser contestada no imediato caso o CDS perca apenas quatro ou cinco deputados em Outubro. Mas já poucos lhe darão uma vida longa à frente do partido. De qualquer forma, o CDS tem congresso ordinário e com eleição de direcção em Março do próximo ano, quatro meses após as legislativas.