Copa América, uma obrigação para Messi e para o Brasil

Neymar é o grande ausente na maior competição de selecções da América do Sul, que terá Carlos Queiroz no banco da Colômbia.

Messi num treino da Argentina
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Messi num treino da Argentina LUSA/JOEDSON ALVES

Depois de um Mundial em que não conseguiu meter nenhuma selecção nas meias-finais, a Copa América é a oportunidade de redenção para o futebol da América do Sul e, em especial, para duas selecções que, por motivos diferentes, estão “obrigadas” a ganhar. A jogar em casa, o Brasil terá de encontrar uma forma de ultrapassar a ausência de Neymar e fazer as pazes com uma “torcida” que ainda não esqueceu o “Mineiraço” frente à Alemanha em 2014 (derrota por 7-1), enquanto a Argentina não pode desperdiçar mais uma oportunidade de conquistar alguma coisa enquanto ainda tem Lionel Messi, cujo currículo na “albiceleste” se reduz a um Mundial sub-20 e um título olímpico.

A partir desta sexta-feira e até 7 de Julho, dez equipas sul-americanas e dois convidados asiáticos (Qatar e Japão) disputam, no Brasil, a 46.ª edição da Copa América, a mais antiga competição de selecções do mundo (disputa-se desde 1916).

As “hostilidades” futebolísticas do torneio começam com um Brasil-Bolívia (1h30, SP-TV1) no Morumbi, em São Paulo (Jair Bolsonaro, presidente brasileiro, estará na tribuna), e fecham com a final no carioca Maracanã.

Este será um torneio em que o campeão em título, o Chile, está em fim de ciclo e longe da primeira linha de favoritos, em que um português, Carlos Queiroz, comanda uma Colômbia com aspirações, em que o Uruguai pode consolidar o seu estatuto de maior conquistador do torneio (venceu 15), e em que duas selecções de meio da tabela, Peru e Venezuela, podem surpreender. Para Brasil e Argentina, a medida do sucesso é apenas uma: vencer a Copa América.

Esta será mais uma grande competição de selecções em que Lionel Messi terá a responsabilidade de levar a Argentina às costas. Mas a “albiceleste” continua tão caótica como sempre. Depois do rotundo fracasso no Mundial 2018, Sampaoli foi despedido, nomeou-se um interino que nunca tinha sido mais que um adjunto, Lionel Scaloni, e é com ele no banco (e com Pablo Aimar como adjunto) que os argentinos vão enfrentar esta Copa América. Se é uma incógnita aquilo que a Argentina pode fazer, Scaloni tem, pelo menos, feito um esforço de mudar alguma coisa.

Jogadores como Messi, Di Maria e Aguero mantêm-se de campanhas passadas, mas dez dos 23 argentinos estão, pela primeira vez, num grande torneio de selecções, como Rodrigo de Paul, extremo da Udinese, Lautaro Martínez, avançado do Inter Milão, ou Germán Pezzella, central da Fiorentina.

É à força da renovação que a Argentina quer mudar a sua história recente na Copa América (que já não ganha desde 1993), derrotada nas duas últimas finais, ambas frente ao Chile no desempate por penáltis. E o optimismo existe, mesmo em doses moderadas. “Os argentinos são sempre optimistas quando falam de futebol. Temos de ser claros e dizer que o favorito é o Brasil, mas podemos dizer às pessoas que podem sonhar”, alerta Rodrigo de Paul, um dos novos parceiros de Messi que tem feito excelentes épocas na Série A ao serviço da Udinese.

Favorito sem Neymar

A jogar em casa, a selecção brasileira vai ter de se aguentar sem Neymar, cuja lesão recente nos ligamentos do joelho direito foi o culminar de uma época horrível para o avançado do PSG – não só esteve quase toda a época sem jogar, como enfrenta agora acusações de violação por parte de uma modelo brasileira.

Mesmo sem Neymar, o Brasil parece ter poder de fogo suficiente para ir longe. Roberto Firmino, Gabriel Jesus, Phillippe Coutinho e Richarlison são os nomes fortes do ataque da “canarinha”, que mantém um assinalável núcleo de veteranos, como Thiago Silva, Miranda, Dani Alves, Willian, Felipe Luís ou Fernandinho.

Tal como a Argentina, o Brasil tem um historial recente de múltiplos fracassos na Copa América. Depois de ter ganho pela última vez em 2007, ficou-se pelos quartos-de-final em 2011 e 2015 e nem sequer passou da fase de grupos na Copa Centenário de 2016, um desempenho que conduziu ao despedimento de Dunga e à contratação de Tite, cujo contrato até 2022 pode ser encurtado se a selecção voltar a fracassar.

E há outro factor de pressão adicional: o Brasil ganhou todas as quatro edições da Copa América que organizou, para além de que se cumpre um século desde que conquistou o troféu pela primeira vez.

Para lá das duas selecções que costumam polarizar todas as conversas sobre futebol sul-americano, o Uruguai será, talvez, o candidato mais estável. Guiada pela mão experiente de Óscar Tabárez desde 2006, a selecção “celeste” mantém o seu núcleo de “estrelas” (Cavani, Suárez e Godin), ao mesmo tempo que se vai renovando com jogadores como Jiménez, Torreira, Betancur ou Maxi Gómez. E o seu título Mundial conquistado em 1950 mostra que sabe ganhar grandes competições de futebol em terras brasileiras.