Paulo Branco é o primeiro português a receber o Prémio Mundial das Artes Leonardo DaVinci

Distinção do World Cultural Council consagra o contributo “colossal” do produtor “para o enriquecimento do cinema”.

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Paulo Branco fundou o Lisbon & Sintra Film Festival em 2007 MIGUEL MADEIRA/ARQUIVO

O produtor Paulo Branco foi distinguido com o Prémio Mundial das Artes Leonardo DaVinci, tornando-se o primeiro português a receber o galardão entregue pelo World Cultural Council (WCC, Conselho Mundial de Cultura).

“A sua abertura constante a novas ideias e ao apoio de figuras criativas de todo o mundo tornam-no uma verdadeira força unificadora, cujo contributo para o enriquecimento do cinema é colossal”, diz a organização com sede no México e que tem como finalidade a promoção da cultura e do conhecimento. O actor John Malkovich, citado no comunicado do WCC distribuído esta sexta-feira, é hiperbólico quanto à obra de Paulo Branco: “Possivelmente o mais prodigioso produtor de filmes independentes da história do cinema.”

Paulo Branco receberá o prémio a 4 de Outubro, no Japão, na mesma cerimónia em que o Prémio Mundial da Ciência Albert Einstein, também atribuído pelo WCC, será entregue ao​ professor e investigador Zhong Lin Wang. O prémio funciona por nomeações, que só podem ser feitas pelos membros do WCC, por chefes de Estado, do executivo ou ministros dos sectores competentes de qualquer país, bem como por responsáveis de institutos e organizações ou reitores universitários.

O produtor português sucede a nomes como os dos artistas plásticos Robert Rauschenberg (premiado em 1995) e Magdalena Abakanowicz (premiada em 1999), uma das escultoras cujo trabalho será destacado pela Tate Modern no âmbito da campanha #5WomenArtists que insta o público a nomear cinco artistas mulheres. São os galardoados mais sonantes de uma lista que em 2017 teve como destinatário deste prémio bienal o etnomusicólogo Russell Hartenberger.

Fundado em 1981, o WCC distingue agora o trabalho de um produtor “comprometido com novas visões da expressão cinematográfica” e que tem “cultivado a comunicação intensiva” entre “diferentes campos culturais como a literatura, as belas artes e a música”, uma pluridisciplinaridade materializada no Lisbon & Sintra Film Festival que Paulo Branco fundou em 2007. “É um prémio atribuído pelos seus prolíficos e variados feitos na dinâmica do cinema independente, produzindo e co-produzindo com realizadores dos quatro continentes e constantemente aberto a novas ideias”, sublinha ainda o comunicado.

Como realça o WCC, 27 dos filmes produzidos por Paulo Branco já integraram a Selecção Oficial do Festival de Cannes e 48 integraram o calendário do Festival de Veneza. “O trabalho de Paulo Branco tem sido um enorme contributo para o avançar do horizonte estético do cinema, em Portugal e no mundo, para além de aprofundar a formação cultural das audiências e do público em geral”, remata o organismo.

Ao longo dos seus 40 anos de carreira, Paulo Branco produziu mais de 300 filmes e tornou-se um dos mais reconhecidos agentes do cinema português no mundo. À actividade de produtor soma também a de exibidor – um lado do seu trabalho que tem vindo a contrair-se num mercado em mutação, como o recente encerramento de exploração comercial dos cinemas Monumental veio mostrar.

No último ano e meio, Paulo Branco tem estado envolvido numa extensa batalha legal em torno do filme O Homem que Matou Dom Quixote, realizado por Terry Gilliam e estreado, não sem alguma polémica, no Festival de Cannes de 2018. Uma decisão recente do Tribunal de Propriedade Intelectual, da qual o produtor vai recorrer, não lhe reconheceu direitos sobre o filme; no ano passado, o Tribunal de Recurso de Paris decidiu que o filme é propriedade da sua produtora Alfama Films, interpretação contestada pelas várias produtoras internacionais (entre as quais a portuguesa Ukbar Filmes) que em 2017, depois da ruptura entre Branco e Gilliam, se encarregaram do projecto.