Opinião

Cartas ao director

Hong Kong

Os noticiários fazem-nos chegar imagens da revolta dos cidadãos de Hong Kong relativamente a uma proposta de lei sobre a possibilidade de extradição de cidadãos dessa cidade para a China Continental. Por que razão os cidadãos de Hong Kong reagem desta maneira? A razão é simples: nos regimes comunistas não existe qualquer protecção ao cidadão perante um Estado totalitário. Vivendo os cidadãos de Hong Kong (ainda) num regime de direito com presunção de inocência, com este acordo de extradição ficam completamente desprotegidos! 

Aqueles que são complacentes com ditaduras como a chinesa (em Portugal temos muitos simpatizantes instalados no nosso aparelho de Estado...) um dia arrepender-se-ão, tal como se arrependeu Chamberlain pela sua branda postura em relação à Alemanha de Hitler...

Ezequiel Neves, Lisboa

Consoante Muda 

Leio sempre atentamente a “Consoante Muda” de Rui Tavares. A de ontem refere-se ao discurso de João Miguel Tavares no 10 de Junho de que destaco uma conclusāo que me parece aplicável a qualquer discurso. Há sempre passagens com as quais concordamos e outras de que discordamos. Importa a cada um fazer o balanço. Quanto à “qualquer embirração que qualquer pessoa tenha com ele”, segundo Rui Tavares, confesso que sou dos que embirro. Penso até que ele quando escreve tem por objectivo, entre outros, “irritar o povo das esquerdas”. Essa irritação fá-lo feliz. Eu, como gosto de ver as pessoas felizes, irrito-me e embirro com ele. Nada de pessoal, claro.

António Martins da Costa, Porto

Agustina Bessa-Luís

Como afirmou, e bem, António Guerreiro na sua secção “Acção Paralela”, no pretérito dia 7, e passo a citar: “Pela morte de ABL, elevou-se um coro público de superlativos e hipérboles, de adjectivos extasiados aproximando-se das visões místicas e do gozo erótico da espiritualidade barroca”. Quase a concluir, Guerreiro rematou:” estas mobilizações circunstanciais dos entusiasmados sem nenhum conteúdo, apenas fascinados por si mesmos (…). No  sábado, 8 de Junho, Vasco Pulido Valente, no seu “Diário” também criticou “a multidão de devotos” que teceram  laudas hiperbólicas a Agustina, afirmando que ele, Vasco, “se excluiu dessa imensa multidão”. Afinal “Agustina não é uma grande autora internacional” (…). “É uma filha de Entre Douro e Minho, que nunca percebeu o que ficava para além das fronteiras em que sempre se fechou”. Julgo que os apreciadores da escrita de Agustina não gostaram de ler o que escreveu António Guerreiro e gostaram ainda menos da expressão de VPV que reproduzi atrás sobre Agustina. Valha-nos a “visão mística” de Gonçalo M. Tavares, que considerava Agustina um “extra terrestre”…

António Cândido Miguéis, Vila Real