Boris Johnson arrasa na primeira ronda de votações para a sucessão de May

Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros obteve 114 votos de 313 deputados. Hunt, em segundo, ficou-se pelos 43. Harper, Leadsom e McVey foram eliminados. Próxima votação é na terça-feira.

Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e candidato a primeiro-ministro do Reino Unido
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Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e candidato a primeiro-ministro do Reino Unido Reuters/HENRY NICHOLLS

Apontado há muito como o grande favorito da corrida à sucessão de Theresa May, Boris Johnson deu esta quinta-feira razão às casas de apostas e venceu confortavelmente a primeira ronda de votações da eleição para a liderança do Partido Conservador e do próximo Governo do Reino Unido. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros recolheu o apoio de 114 dos 313 deputados tories, suplantando a concorrência por uma larga vantagem e colocando-se numa excelente posição para disputar a eleição final, prevista para o final deste mês. Três candidatos foram eliminados.

“Muito obrigado aos meus amigos e colegas do Partido Conservador e Unionista, pelo vosso apoio. Estou encantado por ter vencido a primeira volta, mas ainda temos um longo caminho a percorrer”, celebrou no Twitter o também antigo mayor de Londres que, segundo as sondagens, tem 70% de hipóteses de se sagrar vencedor da eleição.

Johnson conseguiu mais do dobro dos votos que Jeremy Hunt, segundo classificado na contenda. O actual chefe da diplomacia britânica ficou-se pelos 43 apoios, seguido bem de perto pelo ministro do Ambiente, Michael Gove, que obteve 37 votos. Já Dominic Raab, ex-ministro do “Brexit”, foi o quarto classificado, com 27 votos.

Os ministros Sajid Javid (23 votos), Matt Hancock (20) e Rory Steward (19) mantêm-se na corrida à liderança tory e ao número 10 de Downing Street, ao passo que Mark Harper (10), Andrea Leadsom (11) e Esther McVey (9) ficam pelo caminho, por não terem sido capazes de agregar pelo menos 17 votos – o requisito mínimo para os candidatos se apurarem para a segunda volta. 

Leadsom e McVey eram as duas únicas mulheres a participar na interna votação dos conservadores, pelo que a sua eliminação abre, naturalmente, caminho para a eleição de mais um primeiro-ministro do sexo oposto no Reino Unido – Theresa May e Margaret Thatcher figurarão na História da política britânica, durante mais uns tempos, como as únicas mulheres que lideraram um Governo. 

As rondas seguintes da eleição tory estão agendadas para a semana, com a segunda a realizar-se na terça-feira, dia 18 de Junho. E terão critérios mais apertados. Para se manterem “vivos” e passarem à votação seguinte, os candidatos terão de obter os apoios de pelo menos 10% dos votantes, equivalente a 33 deputados conservadores.

De acordo com a calendarização disponibilizada pelo Comité 1922 – que junta todos os representantes tories na Câmara dos Comuns de Westminster que não têm cargos no Governo –, a votação que decidirá quem serão os candidatos finais deverá ocorrer no dia 20 de Junho, quinta-feira.

Os dois concorrentes mais votados pelos deputados irão participar, depois, numa eleição a nível nacional, aberta aos cerca de 160 mil militantes do Partido Conservador, e realizada através de voto por correspondência. O Comité 1922 prevê apresentar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido e do Governo de Sua Majestade na semana que se inicia a 22 de Julho.

Segunda vaga em aberto

Os números obtidos por Boris Johnson nesta primeira volta sugerem que só uma catástrofe o impedirá de disputar a eleição final. Cento e cinco apoios chegam para que o candidato que já prometeu retirar o Reino Unido da União Europeia no dia 31 de Outubro “com ou sem acordo”, e que tem o respaldo da facção eurocéptica do partido, se apure para a derradeira escolha. 

Para falhar esse objectivo teria de perder uma grande fatia dos 114 votos que obteve esta quinta-feira e isto num cenário, improvável, em que outros dois concorrentes o suplantariam

Tudo indica, por isso, que a outra vaga da votação final venha a ser disputada entre Hunt, Gove, Raab e Javid. Estando a corrida logicamente centrada no futuro do “Brexit” e na resolução dos problemas que derrubaram May, o primeiro bem se tem esforçado por exercer o papel de agregador de vontades dos remainers e dos brexiteers mais moderados do Partido Conservador. 

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros foi claramente prejudicado nessa missão de unificador, em termos de votos, pela “competição” de Javid e até de Rory Stewart. “A parada nunca esteve tão alta no nosso país. Este momento tão sério pede um líder sério”, escreveu Hunt no Twitter.

Esta quinta-feira, Stewart procurou protagonismo ao lançar um desafio a Johnson ou a qualquer futuro primeiro-ministro, prometendo ajudar a “derrubar” aquele que suspenda o Parlamento para forçar uma saída da UE sem acordo, em Outubro, como tem sido sugerido por algumas figuras simpatizantes do hard-Brexit

“Quem quer que tente subverter a nossa Constituição, a nossa liberdade ou o nosso Parlamento, e que se atrever a reivindicar que se tranquem as suas portas não merece ser primeiro-ministro. Se isso acontecer, faremos uma sessão fora do Parlamento e derrubá-lo-emos”, afiançou Stewart, em declarações à Sky News.