No Porto, há uma antiga Drogaria renovada em forma de bar

Hoje é um bar, outrora era uma drogaria. Mas nem tudo mudou: ficou a rusticidade e a genuinidade do antigo espaço. De Portugal para os portuenses, aqui não se vende nada com selo estrangeiro.

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Os pregos e os parafusos ficaram —​ desta vez não para venda, mas enraizados nas paredes. Também a ferrugem, a madeira antiga e a pedra que cobre as paredes são a primeira coisa que salta à vista de quem entra no Drogaria Bar. Porque Maria e Paulo quiseram que assim fosse. “Interpretámos o espaço para reaproveitar o que existia”, conta Maria Marcelino, 33 anos, designer de moda e agora proprietária do Drogaria.

Abriram portas em Fevereiro, depois de um longo ano de obras. O espaço, onde antes se vendiam produtos químicos e ferragens, passou a ser o local ideal para “beber um copo”, descreve Maria. Ambos clientes da antiga drogaria, sempre gostaram de “novos desafios” e aproveitaram a oportunidade para “pôr em marcha um wine bar”. “Tivemos pessoas a dizer-nos que viam aqui uma frutaria biológica. Nós vimos um bar”, conta Paulo Vieira, 50 anos, também proprietário.

As obras avançavam, “a história aparecia” — e foi preciso “assumi-la” e “preservá-la”. “Tapar as paredes com pladur” nunca esteve nos planos de Maria e Paulo. O “metal ferrugento” passou a ser “parte integrante do projecto”. O soalho, porque “estava muito destruído”, foi substituído por outro, mas com o mesmo “traço do século passado”. O antigo tornou-se novo — “e não há mal nenhum nisso”. “É o que dá carácter ao espaço”, lembra Maria. E Paulo concorda: “A beleza do espaço está no que é a sua arquitectura.”

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Um projecto feito de (e para) portugueses

Contrariamente à necessidade de investimento no turismo que hoje se vive no Porto, o projecto de Paulo e Maria nasceu “de raiz para portugueses”. “Nós queremos fidelizar o português. Obviamente que por arrasto aparecem cá muitos turistas”, aponta o proprietário. No entanto, o espaço também se faz de portugueses: no Drogaria não se vendem bebidas que não sejam feitas em Portugal.

O rum é da Madeira, o gin do Alentejo. São bebidas mais convencionais, mas outras opções não faltam. Para os mais corajosos, há o Hidromel, o Licor de Medronho e Mel ou a Aguardente Velha das Caves São João. Para quem não se quiser atrever, o típico Licor Beirão faz justiça ao português. Os preços variam entre os dois e os oito euros.

O vinho, vendido ao copo ou à garrafa, chega ao Drogaria de todos os cantos do país. Dos Açores, do Douro, da Bairrada, do Alentejo, do Algarve e do Porto, não faltam opções para os apreciadores de um bom verde, branco, tinto ou rosé. Directamente do Douro, pode provar um copo do branco Pouca Terra (3€), do tinto Muros da Vinha (2,50€) ou do rosé Muxagat (4€). Já do Alentejo, um copo de Mirra ou de Virgo, a 3,50€, não pode faltar. Se quiser viajar até aos Açores, pode experimentar o Curral Atlantis ou o Magma, que apenas se vendem à garrafa, a 23 e 32€, respectivamente.

As cervejas — Topázio, Ónyx e Loba — são artesanais e custam entre 1,80 e 2,50€. Os refrigerantes, Brisa e Laranjada, vêm directamente da Madeira e dos Açores e a única água que se vende no Drogaria é a da Castello. Para quem quiser algo mais arrojado, os cocktails da casa (entre os 7 e os 8€) são uma boa opção.

Apesar de ser um wine bar, Maria e Paulo quiseram incluir alguns petiscos, “não demasiado complexos”, para acompanhar a bebida. As tábuas – de queijos (9€), de enchidos (9€) ou mista (14€) — são as primeiras a constar da lista. Mas o prémio de maior variedade vai para as tostas. Há para todos os gostos: tosta de queijo e tomate com orégãos (4€), tosta de queijo da ilha com pickles de cebola roxa, nozes e mel (4,50€) ou até tosta de punheta de bacalhau e pasta de azeitona (6€). Se preferir algo mais simples, as azeitonas e tremoços marinados (1,50€) são uma alternativa.

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No Drogaria também encontra trabalhos de autores portugueses. O móvel logo à entrada, “uma das imagens de marca” mantida por Maria e Paulo do antigo espaço, tem em exposição várias peças artísticas. “Quem quiser expor, pode propor. Mas tem uma estética muito própria, não entra aqui qualquer trabalho”, explica Maria Marcelino.

Os que visitam o Drogaria elogiam a “genuinidade” e a “rusticidade” do espaço, o facto de ser “bonito e confortável” e “sem formalidades”, mas sentem falta de uma esplanada. Ainda assim, Maria deixa o convite: “Temos simpatia, boa música e o ambiente é harmonioso e convidativo.” O Drogaria Bar tem capacidade para 40 pessoas sentadas, sem esquecer que também os animais são bem-vindos.

Texto editado por Sandra Silva Costa