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Podemos estar a ingerir até cinco gramas de plástico por semana — o equivalente a um cartão de crédito

Um relatório publicado pelo Fundo Mundial para a Natureza mostra que, em média, um ser humano pode ingerir até cinco gramas de plástico por semana — o peso de um cartão de crédito.

A associação ambientalista internacional Fundo Mundial para a Natureza (WWF – World Wide Fund) estima que uma pessoa pode ingerir, em média, até cinco gramas de plástico por semana, o peso de um cartão de crédito, segundo um relatório publicado na terça-feira.

PÚBLICO -
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De acordo com os resultados da investigação, que contempla 50 estudos realizados sobre a ingestão humana de plásticos, cada pessoa ingere cerca de 2000 micropartículas de plástico todas as semanas, ou seja, cerca de 250 gramas por ano.

Os microplásticos são pequenos pedaços, às vezes microscópicos, que surgem de produtos maiores devido à degradação pelo meio ambiente. Estudos anteriores já apontavam para a ingestão de milhares de partículas de microplásticos todos os anos, mas o desafio para os investigadores da Universidade de Newscastle, na Austrália, que conduziu a investigação encomendada pela WWF, era medir o peso.

“Numa altura em que está a aumentar a consciencialização sobre a existência de microplásticos e o seu impacto no meio ambiente, este estudo fornece pela primeira vez um cálculo preciso das taxas de ingestão”, disse o investigador Thava Palanisami, em comunicado.

Este estudo, adianta o especialista, “ajuda a identificar os potenciais riscos toxicológicos para os seres humanos”. A primeira fonte é a água, especialmente se for engarrafada. Entre outros produtos analisados, os frutos do mar, a cerveja e o sal apresentam a taxa mais elevada de microplásticos.

“É um alerta para os governos: os plásticos não só poluem os nossos rios e oceanos, não matam apenas a vida marinha, mas estão em todos nós”, declarou, por sua vez, Marco Lambertini, o director da WWF, organização que desde Fevereiro está a promover uma petição global para exigir aos líderes mundiais “zero plásticos na natureza”.

“A investigação reflecte os potenciais efeitos negativos do plástico na saúde humana, mas este é um problema global que só pode ser resolvido abordando as raízes da poluição: se não queremos plástico nos nossos corpos, temos de travar os milhões de toneladas que são depositadas na natureza todos os anos”, acrescentou. Lambertini apelou ainda à realização de uma campanha global, que envolva “governos, empresas e consumidores”, no sentido de se atingir “um pacto internacional” contra a poluição dos oceanos, através de objectivos nacionais.

Desde que começou a produção maciça de plásticos, na década de 40, estes versáteis polímeros expandiram-se rapidamente por todo o mundo e, apesar de em muitos sentidos terem tornado a vida mais fácil, a sua eliminação é um problema cada vez maior. As pessoas podem ingerir estes materiais inconscientemente quando comem ou respiram.