Artistas Anna Boghiguian e Erika Verzutti em Coimbra para a bienal Anozero

Terceira edição da bienal vai decorrer de 2 de Novembro a 29 de Dezembro e vai ter como tema A Terceira Margem, que deriva de um conto do escritor brasileiro Guimarães Rosa.

O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova será um dos espaços da bienal
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O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova será um dos espaços da bienal Adriano Miranda

As artistas Anna Boghiguian e Erika Verzutti vão estrear-se a expor em Portugal na bienal de arte contemporânea de Coimbra Anozero, que vai decorrer entre Novembro e Dezembro, anunciou a organização esta quarta-feira.

A egípcio-canadiana Anna Boghiguian é uma artista de origem arménia cujas obras fazem parte de colecções de museus como o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque ou o Guggenheim, tendo, no início deste ano, contado com uma retrospectiva na Tate St. Ives, em Inglaterra.

Já Erika Verzutti, que este ano teve uma exposição individual no Centro Pompidou, em Paris, é natural de São Paulo e já participou na Bienal de Veneza.

“São artistas internacionais consagradas com percursos muito consolidados. Não são grandes vedetas da arte contemporânea, porque também nos interessa uma ideia de produção de conhecimento”, e portanto mostrar obras e artistas que nunca estiveram no país, disse à agência Lusa Lígia Afonso, curadora-adjunta da bienal, cuja equipa tem como curador-geral o brasileiro Agnaldo Farias.

Pela bienal de arte contemporânea Anozero, que vai decorrer de 2 de Novembro a 29 de Dezembro, vão também passar artistas como a espanhola Belén Uriel, os brasileiros José Spaniol e Ana Vaz e a turca Meriç Algün. Dos nomes já anunciados pela organização, constam também os portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Luís Lázaro de Matos, Bruno Zhu e João Gabriel.

No Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, espaço parcialmente desocupado que vai continuar a ser um dos palcos da bienal, a equipa curatorial apostou em encomendas a artistas portugueses, “muitos deles jovens e alguns sem experiência de grande escala”, referiu Lígia Afonso. Sendo um espaço monumental, “é uma oportunidade para eles poderem explorar o trabalho de grande escala”, vincou.

Naquele local, a equipa pretende “trabalhar a ideia de convergência e de margem” – o tema da bienal é A Terceira Margem, que deriva de um conto do escritor brasileiro Guimarães Rosa.

Para Nuno de Brito Rocha, o outro curador-adjunto, se na anterior edição houve um enfoque na arquitectura no trabalho em torno do convento, este ano o edifício “não é explorado no sentido espacial do que a arquitetura representa". “Vai haver trabalhos mais etéreos ou mais fantasmagóricos, à imagem da própria personagem principal do conto do Guimarães Rosa, e outros mais concretos, quer na forma do trabalho quer do ponto de vista da linguagem”, vincou o curador, referindo que o medo da dimensão foi perdido assim que a equipa aceitou também os vazios daquele espaço.

Além do Convento de Santa Clara-a-Nova, a exposição da bienal vai também espalhar-se por outros pontos da cidade, como o Edifício Chiado, a Sala da Cidade, o Laboratório Chímico ou o Colégio das Artes, entre outros espaços.

Paralelamente à exposição, haverá também um catálogo e um programa, esse desenvolvido pelos alunos do mestrado em Estudos Curatoriais da Universidade de Coimbra. Essa componente pretende também garantir uma ligação da bienal à cidade e à comunidade, vincou Lígia Afonso. “A bienal tem uma curadoria de fora para dentro, e queremos alguém que faça o contrário”, acrescentou.

A bienal Anozero, que vai para a sua terceira edição, é promovida pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal e pela Universidade de Coimbra.